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Política Internacional
e Diplomacia |
ENTREVISTA
DO MINISTRO FRANCÊS DAS RELAÇÕES
EXTERIORES E EUROPÉIAS,
BERNARD KOUCHNER, PARA O CANAL DE TV
“TF1”
Paris, 2 de junho de
2008
P.: O Presidente
Sarkozy irá à abertura
da FAO, em Roma e o Senhor, Bernard
Kouchner, irá para o encerramento.
O que a França pode dizer e levar
como contribuição?
R.: Em
primeiro lugar, a França pode
felicitá-lo por tocar nesse assunto.
É preciso que toda a atenção
da comunidade internacional, especialmente
das organizações internacionais,
das agências que não estavam
voltadas para a produção
agrícola, dediquem-se a essa
tarefa, que levará anos para
ser concluída. É preciso,
como se verá amanhã, que
a ajuda de emergência chegue pontualmente
em caso de fome, mas, sobretudo, como
disse Jacques Diouf, é preciso
que a produção seja melhor.
É preciso que, nos países
em desenvolvimento, empenhemo-nos, nós
e eles, eles e nós, na produção
de alimentos, no que se denomina cultura
de víveres e, talvez também,
em produções que possam
ser vendidas e exportadas. O que se
constatou é que o aumento da
especulação sobre os gêneros
alimentícios é insuportável.
É preciso que esse sistema mude.
P.:
Mas isso pode realmente mudar?
R.: Perfeitamente.
Tudo pode mudar se nos dedicarmos a
isso. Leva tempo, mas é preciso
absolutamente que não se sofra
especulações no mercado
de gêneros alimentícios
básicos. Os Senhores viram as
crianças, seu olhar, foi assim
que tudo começou. Não
podemos mais suportar isso. Amanhã,
acho que o sobressalto será grande.
Jacques Diouf vem dizendo isso há
anos, mas contentávamos com a
ajuda de emergência, porque era
mais fácil. Escoamos os estoques,
mas não havíamos tomado
o problema pela base, como disse o Sr.
Diouf.
P.:
Ontem, o Senhor estava no Iraque, como
vimos pela imagem no jornal. Amanhã,
irá lançar juntamente
com Renaud Donnedieu de Vabres, Jean-Pierre
Jouyet e alguns outros a temporada cultural
européia, porque a França
está assumindo a Presidência
da União por seis meses. O Senhor
está nos revelando o logotipo
da Presidência Francesa.
E.: Trata-se
do sítio e do logotipo da Presidência
Francesa. Os Senhores vão ver,
é muito simples, muito claro.
Isto significa que a França não
se dilui na Europa, mas que as duas
juntas experimentam o melhor. Os Senhores
poderão notar que, sutilmente,
a bandeira européia é
um pouquinho maior do que a bandeira
francesa. Isto quer dizer também,
com relação à temporada
cultural, na qual, pela primeira vez,
a França está convidando
os vinte e seis outros países,
que não existe arrogância
da Presidência Francesa, que se
escuta. Ter uma Presidência bem-sucedida
é expressar melhor o que os outros
26 países, 27 conosco, esperam
dessa Presidência e do movimento
da Europa. Estamos nos reconciliando
com a Europa, o que já era tempo.
P.:
Com decisões tomadas ao final
desse semestre?
R.:
Sim, os Senhores sabem que existem prioridades.
Devo destacar que vamos manter a pressão
sobre o tema da alimentação.
A Presidência Francesa continuará
animando, em primeiro lugar, grupos
de trabalho. Serão necessárias
respostas concretas. Em seguida, temos
outras questões relacionadas
à energia e ao clima, à
defesa européia, à imigração
e ao balanço da Política
Agrícola Comum. Com efeito, as
duas coisas são necessárias:
é preciso que nossa agricultura
sobreviva, que ela seja um modelo, e
que, ao mesmo tempo, as populações
do mundo tenham o que comer.
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