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Política Internacional
e Diplomacia |
ENTREVISTA
DO MINISTRO FRANCÊS DA IMIGRAÇÃO,
DA INTEGRAÇÃO, DA IDENTIDADE
NACIONAL E DO CO-DESENVOLVIMENTO,
BRICE HORTEFEUX, PARA O JORNAL “LE
MONDE”
Paris, 8 de julho de
2008
Pergunta:
A França fez do Pacto sobre a
Imigração uma das prioridades
de sua presidência da União
Européia. Faltou pouco para que
os Senhores obtivessem o acordo da Espanha?
R.: Não,
ao contrário, a aprovação
da Espanha é total desde a minha
visita no dia 3 de julho. Assim como
a da Alemanha, particularmente, essa
aprovação tem um significado
particular. Em primeiro lugar, porque
trata-se de países da Europa
de Schengen, portanto diretamente implicados.
Depois, porque isso demonstra que, seja
qual for a situação geográfica
dos países, as mesmas preocupações
são compartilhadas e isso para
além das diferenças políticas.
Isto é simbolicamente forte,
especialmente após o “não”
irlandês. A Europa deve, de fato,
ser digna de crédito e ser capaz
de tratar dos temas da vida cotidiana
e de sociedade. Esse Pacto é
uma resposta ao distanciamento dos cidadãos
com relação à Europa.
P.:
A que consenso os Senhores chegaram
com os espanhóis?
R.: A
menção do contrato de
integração não
consta mais do Pacto. Este era, aliás,
um elemento de menor importância
de um pacto maior. A importância
do aprendizado de uma língua,
entretanto, está salientada.
P.:
O pacto impedirá os Estados de
praticar regularizações
maciças?
R.: Sim,
este é o compromisso do pacto.
O texto é claro: não devem
ser feitas regularizações
gerais. O Conselho Europeu determina
que “se limite a fazer regularizações
caso a caso e não gerais, dentro
do contexto das legislações
nacionais, por motivos humanitários
e econômicos”.
P.:
As propostas referentes à imigração
de trabalho não seriam muito
tímidas?
R.: Nós
afirmamos que a imigração
deve levar em conta as necessidades
de capacidades de acolhimento. Quanto
à imigração profissional,
alguns princípios são
afirmados, retomando os eixos da política
francesa. Eles serão complementados
por instrumentos jurídicos propostos
pela Comissão, tais como a diretiva
sobre a “carte bleue”.
Esta será objeto de discussões
durante a presidência francesa.
Mas não queremos colocar em questão
o direito de cada país acolher
quem ele queira acolher. Simultaneamente,
o fato de todos nós perseguirmos
um objetivo de luta contra a imigração
ilegal é essencial. Sobre esse
ponto, é preciso que tenhamos
uma política transparente, uns
em relação aos outros,
e que todos adotemos na Europa o princípio
segundo o qual só pode ser acolhido
aquele que respeite as regras.
Esse pacto não tem o objetivo
de pôr um freio às escolhas
feitas pelos países europeus.
Simplesmente, existem hoje vinte e sete
países e vinte e sete políticas
diferentes. O objetivo é que
alguns princípios comuns sejam
compartilhados e que prevaleça
a transparência.
P.:
Os Vinte e Sete se comprometerão
a respeito dos grandes princípios,
na medida em que não estarão
obrigados a uma maior coordenação?
R.: Com
esse pacto, nada será mais como
antes. Sua adoção será
a demonstração de uma
vontade comum, de uma conscientização
do fato de uma decisão tomada
por um país possuir conseqüências
para seus vizinhos. Agora, com o pacto,
a União Européia disporá
de uma verdadeira estratégia.
Quanto à imigração
irregular, isto está claro.
P.:
O projeto defendido pela França
não daria uma imagem de uma União
Européia fechando-se em si mesma?
R.: Esse
pacto é coerente e justo. Ele
não promete nem uma Europa fortaleza,
nem uma Europa “peneira”.
Ele começa evocando a imigração
positiva, ou seja, a imigração
de trabalho, e não nega a realidade
das necessidades de determinados países.
E luta contra a imigração
irregular, renunciando às regularizações
gerais afirmando, pela primeira vez,
a vontade de um exame caso a caso. Esse
pacto, se for adotado, será o
primeiro compromisso global do Conselho
Europeu, a instância política
da União, sobre a imigração.
Ele demonstrará que o Conselho
sabe tratar de questões que representam
desafios de sociedade.
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