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Política Internacional
e Diplomacia |
REUNIÃO
DE CÚPULA DO G-8
ENTREVISTA
COLETIVA DE IMPRENSA
DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCESA,
NICOLAS SARKOZY
-
FALA PRELIMINAR –
Toyako, 8 de julho de
2008
Senhoras e Senhores,
Esta
reunião de cúpula aproxima-se
do fim. É hora portanto de fazermos
um primeiro balanço. Acho que
podemos, desde já, considerar-nos
satisfeitos por um certo número
de ganhos obtidos, antes mesmo de nossos
encontros desta noite. Antes de ouvir
suas perguntas, eu gostaria de lhes
dizer uma palavra a respeito de nosso
diálogo de amanhã com
os grandes países emergentes.
Primeiro
ganho: no que se refere à evolução
do G-8, os Senhores conhecem a minha
vontade de adaptar o G-8 à realidade
do século XXI. O G-8 foi organizado
em G-5, depois G-6, depois G-7, depois
G-8 em decorrência de dois eventos
fundamentais: os primeiros choques do
petróleo dos anos 70 e os desequilíbrios
monerários do mesmo período.
Era uma estrutura do século XX.
Estamos agora no século XXI e
eu acho que não é razoável
querermos tratar as grandes questões
do mundo sem associar a isso um país
africano, um país sul-americano,
a Índia, a China e até
um país árabe que ainda
falta ser determinado.
Várias
fórmulas são possíveis.
Essas idéias estão progredindo,
nós já trocamos muitas
idéias a esse respeito. A próxima
reunião do G-8 se dará
sob a presidência italiana. Nós
falamos de sua ordem do dia e o presidente
do Conselho Italiano nos propôs
uma ordem do dia, que foi aceita por
todo mundo. O primeiro dia do próximo
G-8 será dedicado ao G-8, o segundo
dia ao G-13 e o terceiro ao diálogo
entre o G-13 e os países africanos.
Ao final desses três dias, o G-8
fará uma declaração
final. Esta será a arquitetura
do próximo G-8.
Como
os Senhores podem ver, as coisas avançam
e, em decorrência do processo
muito bem iniciado por nossos amigos
em Heiligendamm, o lugar atribuído
ao G-13 será – é
o que desejamos – cada vez mais
importante.
Por
outro lado, nós falamos dos problemas
do momento. Esses problemas dizem respeito
primeiramente ao meio ambiente e à
mudança climática. Os
Senhores sabem que a Presidência
Francesa da União Européia
fez disso a sua prioridade e que a França
organizou a reunião conhecida
como “Grenelle do Meio Ambiente”.
Eu gostaria que, aqui, o G-8 fosse mais
longe do que em Heiligendamm a respeito
do objetivo de longo prazo de redução
de pelo menos 50% das emissões
de gás de efeito estufa, até
2050. Não digo que é por
estabelecermos uma meta que ela será
alcançada. Mas, convenhamos,
se não fixarmos uma meta, não
teremos a menor chance de alcançá-la.
Esta foi uma famosa questão em
Heiligendamm, quando, até o último
momento, havíamos negociado especialmente
com nossos amigos americanos, que acabaram
aceitando a expressão: “considera
seriamente”. Existe aí
um importante progresso, já que
todo mundo, particularmente os canadenses
e os americanos, concorda com: “considerou
seriamente e aprovou”. Portanto,
passamos a um nível obrigatório
no que se refere aos objetivos do G8.
É
claro que teremos amanhã a reunião
do G-8+5+3 sobre a mudança climática.
Trata-se de um verdadeiro progresso:
é a primeira vez que países
desenvolvidos e países emergentes
adota um texto comum, pois estamos tentando
fazer com que eles adotem o mesmo texto
que adotamos. Então, naturalmente,
encontramo-nos no processo das Nãções
Unidas, sempre com o objetivo de obter
um acordo para Copenhague, em 2009.
Mas os Senhores podem ver como as coisas
foram feitas. A Europa é a adoção
da diretiva clima-energia da Comissão,
da qual fiz uma prioridade para a Presidência
Francesa. É muito difícil,
mas é o que vamos tentar fazer
nesses seis meses. O G-8 deve dar o
exemplo, assim como a Europa dá
o exemplo. Portanto, progredimos ainda
mais em relação a Heiligendamm,
quando nossos amigos americanos recusaram-se
totalmente a se comprometerem a respeito
de uma meta. Aqui no Japão, estamos
todos adotando esse objetivo e, amanhã,
vamos tentar fazer com que ele seja
aceito pelos grandes países emergentes.
Os Senhores podem ver que isso está
progredindo, mas que progride para obtermos
um resultado a respeito do que se chama
de pós-Kyoto e que é Copenhague
2009. É assim que podemos resumir,
embora haja outros elementos mais técnicos.
No
que se refere à energia e à
economia mundial, tivemos uma discussão
muito aprofundada sobre o desequilíbrio
monetário mundial, que tem efeitos
nos preços da energia e das matéria
primas. Devo dizer que esta é,
antes, uma boa notícia. Existe
uma convergência de análises
que eu nunca tinha visto, pelo menos
desde que assumi a Presidência
da República, visto que, agora,
quase toda a Europa, inclusive a Alemanha,
considera o nível do euro um
problema. Compreendam: o nível
do euro para cima. Todos nós,
em torno da mesa, consideramos também
o nível do yuan um problema.
Isso talvez não pareça
aos Senhores espetacular, mas existe
hoje uma análise absolutamente
convergente sobre os prejuízos
econômicos que esse desquilíbrio
monetário pode constitui e sobre
a natureza desse desequilíbrio:
um dólar excessivamente baixo,
um yuan excessivamente baixo e um euro
excessivamente elevado.
Esta
análise é realmente compartilhada
por todo mundo. Após este G-8,
desejo que os ministros das Finanças
e os banqueiros centrais realizem consultas
com os países emergentes, em
particular com a China, para que as
taxas de câmbio de suas moedas
correspondam à realidade econômica.
Portanto, do ponto de vista da análise
e da convergência, todo mundo
está de acordo. Houve até
uma discussão bastante aprofundada
sobre as diferenças de nível
das taxas de juros, todos dizendo que
era preocupante ver, entre os dois lados
do Atlântico, que há duas,
uma a 2 e outra a 4,5, com os riscos
que isso pode gerar para o desequilíbrio
monetário.
No
que se refere à energia, também
tivemos uma discussão extremamente
aprofundada e sinto que a alternativa
nuclear está aumentando muito.
Os Senhores sabem que, para a França,
trata-se de um escolha muito antiga.
A Inglaterra quer investir fortemente
nisso, a Itália está interessada,
os Estados Unidos também, e a
Srª Merkel, a título pessoal,
é favorável. Propus a
realização de um fórum
sobre a energia, tanto a nuclear quanto
as renováveis, para que apresentemos
a todos as nossas descobertas, para
que ulitizemos as melhores práticas,
eventualmente até para que dividamos
as atividades de produção
para investirmos juntos. Essa idéia
foi aceita por todo o G-8, e nossos
amigos japoneses propuseram-se a organizar
esse fórum antes do fim de sua
presidência. Aliás, isto
é complementar às idéias
de Gordon Brown sobre o encontro entre
países produtores e países
consumidores após a reunião
de Djeddah.
Haverá,
antes do fim do ano, no Japão,
um encontro sobre a questão da
energia, cada um estando bem consciente
de que é necessário caminhar
mais rapidamente quanto à economia
de energia, mais rapidamente no desenvolvimento
das novas gerações de
centrais nucleares – o que, naturalmente,
é bom para a França que,
com o EPR, está em boa situação
– e mais rapidamente no desenvolvimento
das energias renováveis.
Falamos,
é claro, a respeito do desenvolvimento
da África. Reafirmamos os compromissos
assumidos em Gleneagles, em 2005: 50
bilhões a mais por ano para a
ajuda até 2010, 25 bilhões
dos quais para a África, o acesso
universal ao tratramento das grandes
pandemias até 2010. Reafirmamos
o compromisso de 60 bilhões de
dólares para a saúde e
os Senhores sabem que a França
havia feito disso uma prioridade. Posso
dizer-lhes que, só para a saúde,
nós gastaremos em 2008 um bilhão
e 400 milhões de dólares,
ou seja, um pouco mais do que os compromissos
que havíamos assumido. Concordamos
que, ao invés de fazer novas
promessas, era preciso respeitar escrupulosamente
os compromissos que assumimos.
E
tivemos um certo número de discussões
muito aprofundadas, particularmente
sobre o Zimbábue, onde concluímos
que a situação é
inaceitável e que convém
que o Conselho de Segurança determine
sanções, não para
esse país, cuja população
já sofre tanto, mas contra um
presidente e um regime ilegítimos,
inclusive nossos amigos russos, que
afirmaram não se oporem ao princípio.
Estamos
trabalhando esta tarde, antes do jantar
desta noite, na redação
de um texto comum, porque naturalmente
convém que, de forma alguma,
o G-8 dê a impressão de
obstruir o Conselho de Segurança.
Isto seria no mínimo curioso.
A condenação é
unânime e extremamente severa.
A palavra sanção não
assusta a quem quer que seja em torno
da mesa. Este deve ser um dos temas
desta noite, no jantar, mas há
tantos assuntos para esta noite, que
decidimos começar a falar a respeito
deles um pouco antes.
(...)
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