CONFERÊNCIA
DOS PRESIDENTES DE COMISSÕES
DO PARLAMENTO EUROPEU
DISCURSO DO SECRETÁRIO
DE ESTADO FRANCÊS
PARA OS ASSUNTOS EUROPEUS, JEAN-PIERRE
JOUYET
Estrasburgo, 20 de maio de 2008
Senhor Presidente
da Conferência dos Presidentes,
Senhoras e Senhores Presidentes de
Comissões,
Caros Amigos,
É
um grande prazer estar entre os Senhores
hoje em Estrasburgo, para apresentar-lhes
a maneira como a França prepara
sua próxima Presidência
do Conselho da União.
Esta
apresentação marca politicamente
a entrada da França na última
linha direta da preparação
do próximo semestre. Já
tive o prazer de me encontrar com
alguns dos Senhores, assim como com
os presidentes dos grupos políticos
e – de forma bastante regular
– o Presidente Hans Gert Pöttering,
com quem tenho relações
de uma grande franqueza. Todas essas
trocas nos foram extremamente úteis
para preparar os encontros do segundo
semestre e quero expressar-lhes aqui
os meus agradecimentos por terem aceito
e alimentado esse diálogo regular.
Confirmo-lhes a vontade extremamente
forte do Presidente da República
[Nicolas Sarkozy], do Primeiro-Ministro
[François Fillon] e do Ministro
das Relações Exteriores
e Européias [Bernard Kouchner],
de um lado, de que essa Presidência
Francesa esteja a serviço do
interesse geral europeu, e do outro,
de que trabalhemos o mais estreitamente
possível com o Parlamento Europeu
para atingir esses objetivos comuns.
1.
Essa presidência ocorre em um
momento particular para a União
Européia.
1.1
O Tratado de Lisboa está em
fase de ratificação.
Esse tratado, que permite a retomada
institucional da União, constitui
um instrumento decisivo para permitir
à Europa definir e conduzir
as políticas esperadas pelos
cidadãos europeus.
Uma
vez esse tratado ratificado, ele se
aplicará a partir de 1º
de janeiro de 2009 e cabe a todas
as instituições preparar
a sua entrada em vigor. Assim como
já tive a oportunidade de dizer
ao Presidente Saryusz-Wolski e ao
Presidente Leinen, a Presidência
Francesa cuidará para que o
Parlamento Europeu tenha inteiramente
seu lugar nas consultas que serão
realizadas.
1.2
O calendário europeu é
marcado pela renovação,
em 2009, das instituições
européias. As eleições
européias ocorrerão
em junho de 2009, antes da renovação
da Comissão em novembro. Isto
implica, sob a Presidência Francesa,
uma agenda legislativa particularmente
carregada e um volume de textos em
fase de exame maior do que a média.
Para chegar a um bom resultado, será
conveniente portanto que a coordenação
inter-institucional entre o Conselho
e o Parlamento seja objeto de uma
atenção particular,
e isso além do processo orçamentário
para o ano de 2009.
2.
O Presidente da República e
o Primeiro-Ministro estabeleceram
quatro grandes prioridades para o
segundo semestre de 2008.
2.1
A primeira diz respeito ao pacote
energia-clima e à política
energética européia.
Este é um assunto sobre o qual
o Parlamento Europeu já está
amplamente mobilizado desde a publicação
das propostas da Comissão em
23 de janeiro passado. A ambição
da Presidência Francesa, estabelecida
pelas conclusões da última
reunião do Conselho Europeu
de março, é chegarmos
a um acordo político no Conselho
sobre todo esse pacote este ano e,
se possível, em primeira leitura
com sua Assembléia (ou nas
primeiras semanas de 2009). Este é
o elemento-chave da exemplaridade
que queremos para a Europa a fim de
reforçar seu papel motor nas
negociações internacionais
sobre o clima com vistas à
Conferência de Copenhague em
2009. O Ministro de Estado Jean-Louis
Borloo e eu evocamos isso com a Presidente
Niebler e o presidente Ouzky. Além
do pacote energia-clima, a Presidência
Francesa fará propostas em
matéria de segurança
energética com respeito à
própria União Européia
e suas parcerias fundamentais, particularmente
com a Rússia.
2.2
A segunda prioridade diz respeito
às migrações.
A Europa está submetida a tensões
demográficas e econômicas
importantes. É necessário
portanto coordenarmos as ações
dos países-membros e assegurar
a sua coerência com as políticas
comunitárias. O objetivo é
vermos em que medida nossas políticas
de tratamento dos pedidos de asilo,
por um lado, de acolhimento e integração
do outro, mas também nossas
ações concretas em matéria
de luta contra a imigração
ilegal e o desenvolvimento solidário
podem tornar-se mais harmônicas
e compartilhadas. Esta é a
razão pela qual a futura Presidência
Francesa deseja que compromissos políticos
sejam assumidos sob a forma de um
Pacto Europeu para a Imigração
e o Asilo, que será adotado
pelo Conselho Europeu, integrando
plenamente a agenda legislativa e
as comunicações da Comissão.
Não ignoro a importância
das questões relativas ao espaço
de liberdade, segurança e justiça
no seio de sua Assembléia e
já tive mesmo a possibilidade
de conversar a esse respeito com o
Presidente Deprez. Ter princípios
comuns de resposta a uma pressão
migratória crescente é
uma questão política
fundamental para a Europa. A Presidência
Francesa estará portanto particularmente
atenta às preocupações
e sugestões do Parlamento Europeu
sobre o Pacto e a uma transição
eficaz para a co-decisão no
que se refere aos textos relativos
às migrações
legais.
2.3
A terceira prioridade diz respeito
à segurança e à
defesa européias. A Europa,
uma potência industrial, agrícola,
econômica e financeira de primeira
grandeza não é atualmente
o ator global que deveria ser no mundo.
De acordo com as conclusões
do Conselho Europeu de dezembro de
2007, a estratégia européia
de segurança deverá
ser atualizada, a fim de que se leve
em conta a ampliação
da União realizada desde 2003
e as novas ameaças, como, por
exemplo, a segurança alimentar,
a luta contra a proliferação
e a “ciber-defesa”. A
multiplicação das crises
necessita também que os europeus
reforcem suas capacidades militares
e civis. As lições extraídas
das operações PESD demonstram
que, apesar dos resultados já
obtidos no desenvolvimento das capacidades,
os países-membros devem engajar-se
mais nesse sentido. Esse reforço
da PESD será empreendido em
complementaridade com a OTAN. Trata-se
de um forte engajamento político
por parte do Presidente da República
[Nicolas Sarkozy], cuja sensibilidade
o Presidente Saryusz-Wolski e muitos
dos Senhores conhecem.
2.4
A quarta prioridade versará
sobre a política agrícola
comum. Existe, em primeiro lugar,
a atualidade particular ligada ao
balanço de saúde da
PAC, já que é hoje que
a Comissão está publicando
suas propostas. Com a cooperação
do Presidente Parish, que mantém
contatos regulares com Michel Barnier,
esperamos concluir esse dossiê
durante a Presidência Francesa.
Há, em seguida, o lançamento
de uma reflexão sobre o futuro
da PAC: trata-se, no contexto mundial
atual, que é marcado pelo agravamento
dos desequilíbrios alimentares
e a disparada dos preços de
determinados produtos, de destacarmos
certos princípios comuns para
a PAC do futuro: correção
dos desequilíbrios alimentares
mundiais, meio ambiente, equilíbrio
dos territórios, qualidade
alimentar, etc.
2.5
Não me é possível,
evidentemente, fazer aqui um detalhamento
completo e, se os Senhores me permitirem,
eu gostaria de deixar o máximo
de tempo possível para suas
perguntas. Em um contexto no qual
os mercados financeiros passam, desde
o verão passado, por fortes
turbulências, nossa ambição
será a de fazer avançarem
os princípios de transparência
e responsabilidade dos agentes financeiros.
Estaremos igualmente muito atentos
ao reforço da competitividade
da economia européia e, particularmente,
de suas pequenas e médias empresas.
Este é o objetivo das propostas
que a Comissão fará,
com seu “Small Business Pact”.
O reforço da dimensão
social da ação da União
e a mobilidade, especialmente a que
tem ligação com a educação
e a formação ao longo
de toda a vida (programas Comenius,
Leonardo e Erasmus), a política
de pesquisa e a dimensão cultural
da Europa também estarão
no centro de nossa ação.
Insistirei talvez sobre um ponto nesta
fala preliminar para evocar o Processo
de Barcelona que a França deseja,
juntamente com a Comissão e
os outros países-membros, aprofundar
para lhe dar um novo impulso. De acordo
com as conclusões da última
reunião do Conselho Europeu,
a França realizará no
dia 13 de julho uma reunião
de cúpula da União para
o Mediterrâneo com vistas a
desenvolver os projetos concretos
de ambição regional,
associando de forma voluntária
os países-membros e os do Sul
do Mediterrâneo.
3.
A preparação política
e administrativa da Presidência
Francesa está amplamente desenvolvida.
3.1
A Presidência Francesa tratará
de preservar a continuidade dos trabalhos
das presidências anteriores.
A Presidência eslovena do Conselho,
cujos rigor e grande qualidade precisamos
destacar, está sendo desde
já coordenada com a nossa Presidência
sobre um grande número de assuntos.
Por outro lado, como agora é
de costume, a França está
preparando com as duas presidências
seguintes um programa “de trio”,
que permitirá a estruturação
dos trabalhos do Conselho por 18 meses
e assegurar a sua coerência
no contexto de renovação
institucional que descrevi brevemente.
3.2
A organização das diferentes
manifestações do Conselho
estão sendo finalizadas com
a Secretaria Geral do Conselho. As
datas das apresentações
pelos membros do governo das prioridades
da Presidência Francesa perante
as comissões estão hoje
todas estabelecidas.
3.3
Várias comissões parlamentares
irão à França
– a Paris, mas também
a algumas Regiões – antes
e durante a Presidência, como
fez em 14 de abril passado a comissão
do Emprego e dos Assuntos Sociais
e como fará, no fim desta semana,
a comissão dos Orçamentos
e o Sr. Reimer Boge – que terei
o prazer de receber no Quai d’Orsay.
Bernard Kouchner e eu estaremos igualmente
à disposição
da comissão de Relações
Exteriores em 10 de junho e da comissão
de Assuntos Constitucionais em 9 de
outubro.
Para
concluir, eu gostaria apenas de reiterar
a minha total disponibilidade ao longo
de toda a Presidência Francesa
e quero marcar desde já um
encontro com o Sr. Presidente, em
21 de outubro próximo, quando
ficarei feliz em vir novamente, a
seu convite, fazer um balanço
do desenrolar da Presidência
do Conselho que a França exercerá.
Estou
à sua disposição
para responder às suas perguntas.