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Europa

ENTREVISTA COLETIVA DE IMPRENSA POR OCASIÃO DO LANÇAMENTO DA
TEMPORADA CULTURAL EUROPÉIA

DISCURSO DA MINISTRA FRANCESA DA CULTURA E DA COMUNICAÇÃO,
CHRISTINE ALBANEL

Paris, 3 de junho de 2008


Senhores Ministros, Caros Bernard Kouchner e Jean-Pierre Jouyet,
Senhor Presidente da Temporada, Caro Renaud Donnedieu de Vabres,
Senhor Comissário, Caro Laurent Burin des Roziers,
Senhores e Senhoras “Embaixadores Culturais”,
Senhor Presidente Diretor-Geral do Grand Palais,
Senhoras e Senhores,
Caros Amigos,

Estou muito feliz por apresentar hoje, ao seu lado, o espírito e a ambição da Temporada Cultural Européia que a França organizou para os seis meses da Presidência Francesa do Conselho da União Européia.

Como os Senhores disseram, essa manifestação de uma excepcional amplitude visa fazer com que se tornem mais conhecidas, tanto na França quanto no exterior, as riquezas artísticas dos 27 países da União em todas as áreas: literatura, cinema, teatro, música, patrimônio.

Temos a convicção, muito forte, de que a cultura é uma chave e talvez até a melhor chave para termos acesso ao conhecimento do outro, para estimularmos a curiosidade com relação ao outro. Nós sabemos que o novo interesse que se observa em nossos colegiais pela Alemanha, por sua cultura e sua língua, está diretamente ligado ao fenômeno Tokio Hotel.

Mas, para além dos mais jovens, o público francês descobriu com entusiasmo os criadores alemães da nova geração, como, por exemplo, os filmes “Goodbye Lenin”, “La Vie des autres”, “De l’autre côté”. Esses filmes revelaram aos nossos concidadãos facetas algumas vezes desconhecidas da cultura e da identidade desse país. A Palma de Ouro de 2007 para o magnífico filme “4 mois, 3 semaines, 2 jours” colocou em evidência o jovem e promissor cinema romeno e, através dele, um capítulo inteiro de uma História que compartilhamos. E, à luz da premiação do Festival de Cannes, que acaba de se encerrar, tudo leva a crer que o cinema político italiano, conduzido por Paolo Sorrentino e Matteo Garrone, fará grande sucesso em nossas telas e suscitará uma nova curiosidade pela cultura e pela história de nossos vizinhos transalpinos.

Utilizei o exemplo do cinema – e poderia citar ainda o amor do público francês por Almodóvar – mas nós sabemos que existem na Europa riquezas, talentos extraordinários, em todas as áreas.

Essa riqueza é um fato e todos nós temos em mente alguns autores, alguns diretores de destaque dos outros países da União, alguns grandes sucessos que atravessaram as fronteiras. Embora estejamos cada vez mais abertos para essa riqueza, a cultura européia ainda não nos é suficientemente familiar.

Recebi recentemente os membros do Conselho de Análise Econômica, autores de um relatório sobre a globalização imaterial. Esse documento revela que, na realidade, a cultura francesa está mais aberta hoje às obras americanas do que às de seus vizinhos europeus. Se isso verifica-se em todas as áreas, é na área do audiovisual ou do cinema que se torna ainda mais evidente. Não vai nessa constatação qualquer antiamericanismo, sobretudo diante dessa obra magnífica do grande escultor Richard Serra, que a França orgulha-se de receber no Grand Palais!

Mas a constatação é clara: ainda não abrimos o espaço que cabe à Europa na cultura francesa. Nós temos, sem sombra de dúvida, apreço pela Europa, visto que a tradição de acolhimento das culturas européias na França é antiga. Mas ainda não temos esse reflexo. Ora, se a Europa não estiver presente em nossa cultura, então ela não estará em nossos corações. As culturas européias devem ser exibidas em nossas telas, ser lidas nas nossas grades de programação da televisão, nas prateleiras das livrarias, ser ouvidas nas rádios e vistas em nossas salas de espetáculos. A tarefa é imensa, pois a marca de fábrica da Europa, de certa forma, é a extraordinária diversidade de suas culturas.

Ainda resta muito a fazer para darmos vida à Europa, para aprofundarmos a identidade cultural européia. E, para isso, precisamos de projetos concretos. A Presidência Francesa da União Européia nos permitirá fazer progressos sobre o conteúdo, em vários grandes dossiês. Temos um certo número de eventos: a reunião do conselho informal de ministros no mês de julho, numerosos colóquios europeus organizados pela França, especialmente um grande fórum em Avignon sobre a economia e a cultura, e o conselho de ministros de novembro, no qual tentaremos fazer com que sejam adotadas conclusões por nossos parceiros. Eu quis que a França incluísse quatro grandes trabalhos em seu programa cultural europeu:

- Melhor compartilhamento do patrimônio que os europeus têm em comum, graças à criação, pelos 27 países, de um rótulo do patrimônio europeu (que Renaud Donnedieu de Vabres criou juntamente com nossos parceiros); e isso graças ao lançamento do portal multilíngue da Biblioteca Digital Européia, que será acessível a todos os cidadãos europeus.

- Em seguida, uma maior proteção à criação e aos criadores, lutando contra a pirataria de obras na Internet e favorecendo o desenvolvimento de ofertas legais “on line”. Este é um desafio fundamental para os próximos anos. Uma resposta européia dará todo o sentido aos esforços que estamos empreendendo atualmente na França, na linha dos acordos do Eliseu.

- Em terceiro lugar, a promoção do lugar da arquitetura na Europa e de seu papel nas estratégias de desenvolvimento sustentável.

- E, por último, o incentivo ao diálogo entre todas as culturas da União e sua diversidade, especialmente lingüística.

A Temporada Cultural Européia e seu denso programa de espetáculos e intercâmbios inscreve-se perfeitamente nessa ambição. Quero agradecer, aliás, a Renaud Donnedieu de Vabres, por contribuir com sua experiência e sua paixão, na qualidade de Embaixador encarregado da Dimensão Cultural da Presidência Francesa da União Européia. Saúdo igualmente Laurent Burin des Roziers, Comissário Geral desta Temporada.

Durante seis meses, uma profusão de projetos, em todas as disciplinas e por todo o território, com momentos fortes como os projetos casados, que associam um artista francês a um artista de cada um dos países da União, ou ainda o evento de encerramento “Dans la Nuit, des images”, grande festa das novas expressões artísticas.

Mas, a temporada cultural européia não é o atributo festivo, a roupagem colorida de um enfadonho programa de trabalho. Essas duas etapas são totalmente indissociáveis, no meu entender. Não se constrói a Europa apenas nas reuniões interministeriais, ela é construída no dia-a-dia na rádio, na televisão, em nossas salas de espetáculos, em nossas livrarias, no cinema, na Internet.

É esta, no fundo, a mensagem desta Temporada Cultural Européia: nós possuímos raízes comuns, fomos separados, reaproximados e unidos pela História, mas estamos avançando juntos e, para isso, temos simplesmente que nos conhecer melhor através de nossas culturas, que constituem, em suma, nossa identidade.


 
 

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