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DISCURSO DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FRANCESA, NICOLAS SARKOZY,
SOBRE A DEFESA E A SEGURANÇA NACIONAL

Paris, 17 de junho de 2008


Senhor Primeiro-Ministro,
Senhora e Senhores Ministros,
Senhor Presidente do Senado,
Senhor Presidente da Assembléia Nacional,
Senhoras e Senhores,

Venho, hoje, falar-lhes da França e da segurança dos franceses. Não há liberdade, não há igualdade, não há fraternidade sem segurança.

Quero falar de segurança aos franceses, proferindo um discurso verdadeiro. Quero falar de segurança àqueles que se dedicam a isso sem limites, em particular aos militares e às forças de segurança interna e de segurança civil. Deve-se poder falar-lhes sem que temam um questionamento de seu engajamento.

Quero dirigir-me igualmente aos meus parceiros na Europa, quero dirigir-me aos nossos aliados, quero dizer-lhes como a França pretende participar de nossa segurança comum. No fundo, desejo falar a todas as nações e dizer-lhes qual será o compromisso da França pela manutenção da paz.

A todos, quero dirigir uma mensagem simples: a França quer a paz, a França quer a segurança. Para ela própria e para o mundo. Quero dizer-lhes, e dizer a todos os franceses, que a política de defesa e de segurança da França encontra-se no cruzamento dos caminhos. Devemos abordar com lucidez, com sangue-frio, as questões de segurança deste início de século XXI.

***

Nossa primeira ambição é que o mundo que está vindo seja um mundo melhor. Um mundo melhor é um mundo onde haja liberdade, democracia e respeito aos direitos humanos.

Um mundo onde a responsabilidade vença o egoísmo. Um mundo onde o diálogo e a abertura aos outros tenham vencido o radicalismo e o fechamento em ideologias de ódio e exclusão.

Um mundo que encontre, através da cooperação e do diálogo, soluções viáveis para os desafios globais da mudança climática, das grandes pandemias, do acesso à água e, hoje, do acesso às matérias primas.

Um mundo onde cada homem e cada mulher possa ter acesso em seu país a uma vida decente, à educação e à saúde.

Uma comunidade internacional, enfim, que se reúna em torno de instituições multilaterais sólidas, representativas das realidades de hoje, a começar pelo Conselho de Segurança e o G-8, que devem ser ampliados a novos membros.

Tenho a convicção de que é a vocação da França defender esse ideal de paz e liberdade. É a vocação da Europa personificá-lo no mundo atual. Porque a Europa, sejam quais forem os imprevistos institucionais, superou suas divisões, seus confrontos históricos, para criar, através de uma união cada vez mais estreita, um modelo único de cooperação entre as Nações. Nossa Europa demonstra ao mundo inteiro que, entre povos que tanto combateram entre si, pode-se construir um destino comum de paz e prosperidade. Não é fácil, mas é, assim mesmo, mais fácil do que o que o continente, nosso continente conheceu antes da União Européia. E, francamente, aqueles que viviam antes da União Européia achariam bastante divertido nos ver tão preocupados com nossos debates institucionais, eles que tiveram de viver confrontos mortais e próprios à Idade Média.

***

Cada época histórica tem um espírito. O espírito do século XXI é a globalização. Assumir nosso lugar nesse mundo novo é nosso primeiro objetivo. Temos tudo para fazer parte da sua linha de frente. O dinamismo de nossa população; nossa vitalidade demográfica; a potência de nossa indústria; a excelência de nossas tecnologias; a qualidade de nossas infra-estruturas; a riqueza de nosso patrimônio; os ensinamentos de nossa história.

Nós temos o dever de figurar na linha de frente desse mundo. Nós somos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU e carregamos uma responsabilidade particular pela manutenção da paz e da segurança internacionais. Ser membro permanente não é um status, nem um privilégio. É uma missão a serviço do mundo. Devo acrescentar que os países que desejem exercer essas responsabilidades devem também, como nós, estar prontos a pagar o seu preço de sangue. Pretendo fazer com que a França seja capaz de assumir essa responsabilidade e de engajar-se pela implementação dos princípios da Carta e a responsabilidade de proteger. Foi o que ela fez ainda esta ano no Chade, tomando a iniciativa, caro Bernard Kouchner, do envio do EUFOR. E se a França não tivesse ido lá, quem o teria feito em nosso lugar? É o que estamos fazendo no Afeganistão com o reforço de nosso contingente, no âmbito dos mandatos da ONU.

Mas, a marca de nosso mundo atual é a incerteza. A incerteza é filha da globalização. A incerteza é, portanto, o fundamento de uma nova estratégia para a França. Essa estratégia será baseada na capacidade de antecipação e na autonomia de decisão. Aliás, como sabe perfeitamente o Primeiro-Ministro, sem capacidade de antecipação, qual é a autonomia de decisão? Nenhuma.

A globalização possibilitou formidáveis progressos: cada vez mais povos conhecem a democracia, dezenas de milhões de seres humanos saíram da miséria e a informação e os conhecimentos são difundidos.

Mas a globalização não eliminou os perigos, nem a guerra. O mundo está confrontado ao terrorismo de massa, às tensões nascentes da corrida pelas matérias primas, a riscos naturais e tecnologias crescentes.

A Ásia passou por um desenvolvimento econômico sem precedentes. A Ásia tornou-se um novo centro de gravidade estratégico. Fatores de risco persistem na região. A Europa tem um interesse fundamental na segurança da principal zona de crescimento do mundo.

Às portas da Europa, na zona que vai do oeste africano até a Ásia, passando pelo Mediterrâneo e a região do Golfo, os fatores de instabilidade são numerosos: reivindicações identitárias, radicalizações, conflitos abertos ou latentes, terrorismo e até proliferação [de armas].

Na África, nosso vizinho mais próximo, perduram tensões, prosperando sobre carências de governança, sobre a pobreza, o subdesenvolvimento e o tráfico. Lá também, grupos terroristas implantam-se e instrumentalizam situações para favorecer o quê? Seus objetivos criminosos.

Na Europa, nossas fronteiras terrestres e marítimas não são mais seguras. E a Rússia voltou a uma política de afirmação de sua potência. Dizer isso não é insultar quem quer que seja.

Nesse mundo que se transforma, onde surgem novas potências econômicas e militares, o peso demográfico e econômico do Ocidente decresce mecanicamente. Nós conservamos trunfos consideráveis, graças ao nosso dinamismo e à nossa tecnologia.

Há 15 anos a França não sofre mais a ameaça de invasão. As ameaças mudaram de natureza, agora elas são diversas e movediças. Elas nos parecem distantes, mas não devemos nos enganar, nosso território nacional, assim como o território europeu, pode ser atingido amanhã. É para essas ameaças que a França e o povo francês devem estar preparados.

Não podemos excluir o ressurgimento de uma ameaça maior, seja ela da natureza que for, que coloque em perigo a própria sobrevivência da Nação.

Portanto, hoje, a ameaça imediata é a de um ataque terrorista. Graças à eficiência do conjunto de nossas forças de segurança, a França não foi atacada ao longo dos últimos anos. Mas a ameaça está aí, real, e nós sabemos que essa ameaça pode assumir amanhã uma nova forma, ainda mais grave, com recursos radiológicos, químicos e biológicos.

A proliferação [de armas] continua se desenvolvendo. Um número crescente de países irá dispor de mísseis balísticos cujo alcance - é necessário dizer - está se ampliando, até alcançar vários milhares de quilômetros, até poder atingir a Europa.

O risco de ataques informáticos capazes de paralisar a Nação já não é mais uma simples hipótese: a França e vários países europeus foram vítimas recentes desses ataques.

Por fim, nem mesmo os próprios sistemas espaciais são mais invulneráveis. Ora, eles são essenciais a nossas sociedades desenvolvidas.

***

Diante dessas ameaças, a separação entre segurança interna e externa deixa de existir. É urgente para a França levar isso em consideração. É por esta razão que o Livro Banco define uma nova estratégia de segurança nacional. Foi por esta razão que o Primeiro-Ministro e eu decidimos pela criação de um novo Conselho de Defesa e Segurança Nacional, que presidirei, e que será o local de debates e de decisões do governo para implementar essa estratégica. Ele poderá apoiar-se em análises de um Conselho Consultivo de Defesa e Segurança Nacional, composto de personalidades qualificadas.

Evidentemente, é muito difícil mobilizar-se por perigos que ainda não se materializaram. Mas a defesa da França agora é jogada tanto no interior de seu território quanto a milhares de quilômetros. A solução não é fechar os olhos sobre nossas vulnerabilidades, mas, ao contrário, olhá-las bem de frente para poder reduzi-las. Temos que aumentar a capacidade de resistência de nosso país, ou seja, a capacidade de recobrar rapidamente um funcionamento aceitável, ou até normal, diante de uma crise maior.

***

Para enfrentar esses desafios, não devemos hesitar em rever nossas certezas e nossos hábitos. Isto é o que há de mais difícil de se fazer na França.

Os franceses têm confiança em seu exército e nas forças de segurança e têm razão, pois os homens e mulheres que os compõem são de um devotamento exemplar. Mas os franceses observam o mundo que se transforma à sua volta e, no fundo, eles não sabem realmente o que é feito para protegê-los e defender seus valores.

Os militares são motivados por suas missões, os militares têm orgulho, e com razão, da confiança de seus compatriotas. Entretanto, a cada dia eles constatam as dificuldades às quais estão confrontados. Vamos falar claro: de disponibilidade dos materiais ou de renovação dos equipamentos fundamentais. Não há um só militar que não se questione. Eles não compreendem que o esforço considerável - porque ele é considerável - empreendido nos últimos anos para recuperar o orçamento da defesa não se traduza rapidamente em seu cotidiano. Tenho plena consciência de que há uma defasagem entre os imensos volumes de crédito de que se ouve falar e a realidade do que vêem nossos militares em campo.

As forças de segurança sabem que suas missões vão bem além da garantia da segurança cotidiana dos franceses. Elas têm consciência de que têm um papel fundamental na segurança da Nação. Elas o vêem no dia-a-dia quando participam de exercícios de crise, ou quando elas próprias participam do plano Vigipirate. Mas será que as forças de segurança, e mesmo as forças armadas, sabem realmente o que a Nação esperaria delas se esta chegasse a sofrer uma crise de muito grande amplitude no território?

Todos sabem que, em um mundo marcado pela incerteza estratégica, a França deve mudar para continuar sendo ela mesma. Tenho o dever, como chefe das forças armadas, de dizer a cada um a verdade, em todo caso tal qual nós a analisamos.

Para construir o exército profissional, a França empreendeu um grande esforço, mas ela também encontrou dificuldades inegáveis impossíveis de serem resolvidas simplesmente acrescentando créditos. Apesar dos recentes esforços, nosso planejamento de segurança, na perspectiva de crises maiores, não está à altura nem da expectativa dos militares, nem da dos franceses.

Essas dificuldades, é o que penso, não devem ser mais “segredo de defesa”. Quero suspender esses tabus. Vamos enfrentar esses desafios. Ao dizer em que pé estamos realmente, e aonde devemos ir, no fundo eu quero transformar seu sentido em ação coletiva, que é um valor fundamental de qualquer comunidade de defesa e de segurança. Em primeiro lugar, para que haja confiança, é preciso que haja verdade. Esta é a chave.

Para garantir a segurança de nossos filhos, a comunidade nacional e a comunidade de defesa e segurança devem mobilizar-se, juntas.

Penso hoje em nossos filhos, e nos filhos de nossos filhos. Devemos evitar que, um dia, eles nos reprovem por termos renunciado às nossas ambições e à posição da França. Porque a posição da França é a herança que recebemos de nossos pais. Temos o dever de transmitir isso às gerações futuras. O problema é que as dificuldades existem no momento da decisão e as vantagens só são obtidas muito tempo depois.

Mas, se deixarmos para nossos filhos uma montanha de dívidas, eles poderão nos pedir para prestarmos contas. A independência de um país também é a sua independência financeira e todos nós sabemos que não é bom para o país gastar todo ano mais do que a totalidade do orçamento da defesa simplesmente para pagar os juros da dívida. Não sou eu que estou inventando essa situação. Trata-se de uma verdade e ela não é boa de se ouvir. Mas é realmente uma verdade. Não tenho a intenção de mascará-la. E os militares são cidadãos. Eles também devem conhecer o contexto no qual os responsáveis maiores de um país assumem suas responsabilidades. Um orçamento da defesa para pagar os juros da dívida não é independência financeira. Não é, simplesmente, independência.

***

Os desafios são imensos. Como chefe das forças armadas, tenho consciência disso. E digo hoje: a França continuará sendo uma grande potência diplomática, Senhor Ministro das Relações Exteriores, e uma grande potência militar, Senhor Ministro da Defesa, comprometo-me a isso. Não são escolhas que estejamos fazendo levianamente, o Primeiro-Ministro e eu. Sei que não me reprovarão por ter me manifestado sobre essas questões um pouco tarde. Para analisar a situação, é preciso tempo, sobretudo para tomar as decisões que vou anunciar.

Comprometo-me a fazer com que a França seja uma grande potência diplomática, uma grande potência militar, perante os franceses. Comprometo-me a isso perante cada um dos Senhores que fez desta ambição uma vocação. Comprometo-me a isso perante nossos aliados e a Europa, porque a Europa e nossos aliados esperam saber o que vamos fazer. Nós não estamos sós. Como os Senhores, ouço falarem os pessimistas. Eles anunciam que o Livro Branco daria o sinal para a desqualificação militar da França.

Lanço de volta a pergunta. Onde está a desqualificação militar da França? Na capacidade de projetar uma força de 30 mil homens por todo o mundo? Então não temos a mesma concepção da desqualificação. Ou na constatação de que nosso exército de hoje é apenas um tanque Leclerc a cada dois em condições de funcionar? Isto é desqualificação militar.

Os Senhores acham que ela reside na exibição complacente de um modelo de exército agradável de se ouvir, mas o qual sabe-se que não será financiado? Ou na verdade e na coerência das ambições e dos meios? Não serei eu quem mentirá à comunidade militar e à comunidade de defesa. Nem a quem quer que seja, aliás.

A verdade é que devemos parar de conservar com a força dos braços alguns dos materiais utilizados todos os dias: aviões de abastecimento que já têm 45 anos, blindados leves de 28 anos, helicópteros Puma de 30 anos de idade. Portanto, precisamos investir mais nos equipamentos. E, para isso, é necessário fazer escolhas.

A verdade é que precisamos parar de acreditar que nosso exército é medido apenas por seus efetivos. É necessário um exército equipado, treinado, modernizado. No contexto financeiro de que falei, é preciso fazer escolhas e olhar a situação tal qual ela é.

Ouço dizer que “o objetivo de fazer economia venceu as ambições militares”. Isto é realmente extraordinário! Trata-se exatamente do contrário. O que o Primeiro-Ministro com o Governo e eu fizemos foi, precisamente, economizar para realizar as ambições militares correspondentes à nossa estratégia. É o bom uso do dinheiro público que permitirá um reforço de nossas capacidades operacionais.

Aí reside todo o sentido de minhas decisões, que não são senão decisões de bom senso. Não se constrói uma defesa para ela mesma, ela é construída para responder a uma estratégia e a necessidades. E estas estão em permanente evolução. É o que estamos fazendo hoje: adaptando a nossa defesa à realidade ou à probabilidade das ameaças pelos próximos 15 anos e buscando as margens financeiras que lhe garantam os equipamentos de que necessita. É mais fácil dizer do que fazer.

Foi por isso que destinei 377 bilhões de euros até 2020 às nossas forças armadas, 200 bilhões dos quais para os equipamentos. Que me compreendam bem: o orçamento da defesa não será reduzido, a inflação será compensada e o orçamento aumentará em 2012, portanto durante o meu mandato.

Porque existe uma coerência em tudo isso. Todas as reformas estão interligadas. Elas visam, conforme o compromisso que assumi, voltarmos ao emprego pleno e ao aumento do potencial de crescimento e inovação de nossa economia. Todas as reformas que lançamos, e não apenas a da defesa, nos permitirão recriar margens de manobra que, de volta, beneficiarão as missões prioritárias do país. Comprometo-me hoje, juntamente com François Fillon, perante os Senhores e todos os franceses, a perseguir esses objetivos.

As reformas que confiamos a Hervé Morin [Ministro da Defesa], correspondem a 3 bilhões de euros a mais, por ano, para o equipamento das forças armadas. Trata-se de algo considerável, sem dúvida, 3 bilhões de euros por ano no contexto atual. Isto representa um aumento de aproximadamente 20% dos créditos de equipamento. Precisamos disso, não se trata de um luxo.

É por esta razão que as reformas precisam ser feitas; porque vamos reinvestir na defesa tudo o que tivermos economizado. No material, mas também no treinamento e na condição militar. O Primeiro-Ministro e eu vamos introduzir esse princípio na lei de programação militar.

Para me comprometer junto aos Senhores, pedi aos ministérios da Defesa e das Finanças que cheguem a um acordo sobre os recursos a serem atribuídos à defesa. Devo aliás, caro François, prestar uma homenagem aos nossos ministros pelo trabalho conjunto realizado. Com isso, nossos soldados poderão, com menos riscos, empreender operações em zona urbana. Com isso, nossas forças armadas terão finalmente uma verdadeira mobilidade estratégica e tática. Com isso, permaneceremos no pelotão de frente dos exércitos que têm importância.

A minha responsabilidade é fazer com que, a cada vez que decidirmos enviar um soldado francês a uma operação, ele tenha o treinamento, os equipamentos e o ambiente necessários à sua missão, não de forma teórica, mas de modo real.

Sei que cada um dos Senhores espera servir num exército como esse. Sei que todos os franceses esperam ser defendidos por um exército como esse. Nós vamos construí-lo.

Para atingir esses objetivos, as forças armadas vão dar prosseguimento à sua modernização, iniciada em 1996 com a profissionalização que foi uma boa decisão e uma etapa fundamental da transformação de nossa defesa. Também foi uma decisão corajosa, um desafio colossal e uma ambição coletiva buscada pelo conjunto das forças armadas. E os Senhores realizaram essa tarefa como poucos agrupamentos sociais teriam sido capazes de realizar.

Mas, precisamos agora rever a organização de nossa sustentação. Precisamos concentrar as implantações. Precisamos levar os efetivos de volta ao nível dos objetivos operacionais. Daqui a 6 ou 7 anos, o formato global das forças armadas, entre civis e militares, será de 225 mil homens. O exército comportará 131 mil homens, a aeronáutica 50 mil e a marinha 44 mil. Sei, e assumo, que se trata de uma redução substancial dos efetivos. Ela atingirá sobretudo os grupos de apoio e a administração, o que se diz freqüentemente e que se faz raramente.

Ao mesmo tempo, medidas de acompanhamento serão implementadas. Seremos inventivos para compensar o fechamento ou a transferência das implantações militares; os territórios mais frágeis serão acompanhados, assumo esse compromisso. As duas etapas dessas medidas serão apresentadas aos Senhores em breve. Mas quero deixar claro que, no meu entender, o exército tem a função de garantir a segurança da nação, não a organização do território. E os militares não são responsáveis pelas decisões políticas que não foram tomadas. Sei perfeitamente que o Primeiro-Ministro, o Ministro da Defesa e eu teremos que encarar manifestações e protestos. Mas, o que se espera? Um exército que cuide da organização do território e que não seja operacional, ou um exército operacional que garanta a segurança dos franceses e um política governamental, caro Hubert Falco, a serviço da organização do território? É preciso saber escolher, e todos sabem que há décadas conhecemos esse debate. Pois bem, hoje, decidimos. Eu decido e assumo.

***

Graças ao trabalho incansável de todos os que contribuíram para redigi-lo, e aos quais quero prestar uma forte homenagem e dirigir, caro François, nossos sinceros agradecimentos, o Livro Branco traça assim o caminho para obtermos as margens financeiras que nos faltavam. Mas ele vai bem além disso. Apoiando-se na realidade das ameaças e dos desafios do século XXI, ele nos dá as chaves para verdadeiras mudanças estratégicas, para estabelecermos as prioridades, para hierarquizarmos nossos esforços, para organizarmos, com o tempo, a transformação de nossas forças armadas e de nossas forças de segurança.

Nossa capacidade de defesa e de segurança nacional será agora baseada em cinco grandes funções estratégicas. Elas são objetivos fundamentais estabelecidos tanto para as forças armadas quanto para as administrações.

Primeiramente, a França deve ter uma verdadeira autonomia de apreciação e decisão. É conhecendo por nós mesmos as realidades do mundo, é prevendo as crises, que garantiremos nossa independência e a segurança dos franceses.

A função “conhecimento e antecipação” será prioritária. Decidi fazer um esforço maciço de investimento na informação, especialmente na de origem espacial, e que beneficiará tanto os chefes militares quanto os políticos responsáveis pelas decisões.

Nossos serviços de informação devem ser eficientes, mais coordenados e agir dentro do respeito aos valores republicanos. Para isso, nós quisemos fazer o reagrupamento dos serviços de informação do Ministério do Interior no seio da nova direção central da informação interna. Parabéns por essa reforma. E foi dentro desse mesmo espírito que decidi instaurar na Presidência da República a função de coordenador da informação. Ele orientará os serviços e assegurará coerência à sua ação.

A segunda missão é que a dissuasão é um fundamento essencial de nossa estratégia. Falei a esse respeito em Cherbourg, e 21 de março passado. Algumas pessoas nos dizem que a dissuasão nuclear não está adaptada ao século XXI. Não acredito nisso. Em primeiro lugar, porque ela é o seguro de vida da nação em um mundo incerto. Em seguida, porque ela garante nossa independência e nossa liberdade de ação diante de qualquer ameaça ou chantagem contra nossos interesses vitais. Pretendo portanto fazer com que a França disponha dessas capacidades por tanto tempo quanto as armas nucleares sejam necessárias à nossa segurança.

Em terceiro lugar, a Europa e a França estão hoje mais expostas. A função de “proteção” das populações e do território deve portanto ser estabelecida como prioridade. Devemos, portanto, nos precaver contra qualquer crise maior no território nacional, seja ela intencional ou não. Esta é a razão pela qual os Senhores devem dispor de equipamentos de proteção contra os riscos nucleares, radiológicos, biológicos e químicos. É por esta razão que devemos desenvolver meios de detecção e de alerta avançado dos tiros de mísseis balísticos.

Diante dos ataques na área da informática, decidi dotar a França, pela primeira vez, de capacidades defensivas e ofensivas, que compreenderão tanto todos os órgãos administrativos quanto os serviços especializados e as forças armadas.

Essa estratégia de proteção deve levar a uma reorganização de nossas capacidades e meios, a uma coordenação maior entre as diferentes forças armadas, entre civis e militares, entre o Estado e as coletividades locais, entre o Estado e as empresas, entre os poderes públicos e os órgãos de imprensa, em tempo de crise, é claro. No que se refere às forças de segurança, a estratégia de segurança nacional exigirá um esforço que será integrado à futura LOPPSI.

A organização do planejamento e da gestão de crise no território será revista. Pedi ao Ministro do Interior que repensasse a organização de seu ministério com esse fim. A reação diante das crises será organizada associando-se administradores regionais e departamentais, policiais, bombeiros e as forças armadas. No contexto territorial, os administradores das zonas de defesa e de segurança coordenarão a ação do Estado. Sei que Michèle Alliot-Marie saberá mobilizar sua administração em direção a esse objetivo, que é da maior importância.

Em quarto lugar, as capacidades de intervenção da França serão muito importantes. Francamente, ser capaz de projetar 30 mil homens, 70 aviões de combate, 1 grupo aeronaval e 2 grupos marítimos não é, francamente, uma desqualificação militar. Quem tem, hoje, a ambição de possuir uma capacidade desse nível, deve ser capaz de entrar em primeiro lugar num teatro de operação, de assumir ali a responsabilidade de ser nação-quadro, ou seja reunir uma coalizão em torno de suas capacidades de comando? Devemos abrir os olhos, pois esses países não são numerosos, como se vê a cada vez que é preciso encontrar uma nação-quadro.

Além disso, creio que precisamos olhar o mundo tal qual ele é: sem paranóia e sem excesso de candura. Projetar 30 mil homens é aceitar o princípio de que nosso país possa engajar-se numa guerra, pois 30 mil homens correspondem bem a uma guerra. Essas capacidades deverão ser adaptadas, de modo a podermos agir no arco estratégico prioritário para a defesa dos interesses da França. Esse arco estratégico, como já analisamos, vai do Atlântico ao Oceano Índico.

Em quinto lugar, ser capaz de fazer escolhas também é admitir uma forte inflexão nas modalidades de nossa contribuição para a prevenção das crises.

Devemos adaptar nossos meios pré-posicionados - não hesito em empregar a palavra - reorientá-las para nossas zonas de interesses estratégicos, especialmente no eixo estratégico que evoquei. Este é o sentido do acordo que assinamos com os Emirados Árabes Unidos.

Decidi portanto tornar públicos nossos acordos de defesa. Vamos renovar nossos acordos na África e reequilibrar nossas bases militares. Isto não significa que estamos abandonando a África à própria sorte. É justamente o contrário. Queremos cooperar com todos os países, europeus e africanos, que compartilham conosco a idéia de que a África é uma chave para o desenvolvimento e, portanto, para a segurança internacional nos próximos anos.

Nossos esforços na África deverão responder agora a uma demanda clara expressa por nossos parceiros e com objetivos que discutiremos regularmente.

Prevenir as crises também é engajar-se contra a proliferação das armas nucleares, biológicas, químicas e mísseis balísticos. Nós queremos a paz, queremos o acesso de todos à energia nuclear civil e fazemos disso uma prioridade da França. Defenderemos as normas internacionais, implementaremos controles estritos, cooperaremos contra o tráfico e seu financiamento. Juntamente com nossos parceiros, faremos tudo para resolver a crise iraniana, que é a principal ameaça que pesa hoje sobre o mundo.

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Todo mundo vê que os desafios atuais pedem respostas coletivas e coordenadas. Em primeiro lugar, porque estamos forjando um destino comum com nossos parceiros europeus e nossos aliados. Em seguida, porque estamos enfrentando as mesmas ameaças e devemos nos prestar ajuda e assistência em caso de agressão. E, sobretudo, porque juntos, Senhoras e Senhores, somos mais fortes.

Para isso, nossas forças armadas são e permanecerão nacionais. Elas não poderão ser integradas a qualquer força supranacional cuja responsabilidade nos escape. Isto está claro. Não preciso insistir, porque seria suspeito. Basta dizer as coisas uma vez, quando se está convencido delas.

Agir juntos é, então, construir também a Europa da defesa. Esta é a nossa prioridade. A constatação é simples: os europeus não possuem hoje os meios militares correspondentes ao seu peso no mundo e que garantam nossa prosperidade a longo prazo.

Portanto, progressos consideráveis foram feitos há dez anos, particularmente na reunião de cúpula franco-britânica de Saint Malo. A União Européia possui instrumentos, procedimentos, uma experiência em comum nas 17 operações de maior ou menor amplitude.

Evidentemente, os europeus estão engajados maciçamente nas forças da OTAN no Afeganistão e no Kosovo, onde, quero lembrar, constituem a metade dos efetivos. Mas cada um pode ver que devemos fazer mais pela defesa da Europa. Isto é de nosso interesse coletivo. E porque é o que os cidadãos da Europa querem. Seja qual for o futuro do Tratado de Lisboa, não mudarei de opinião. Pretendo fazer da política de defesa e de segurança um exemplo da Europa concreta, da Europa que responda às necessidades dos europeus.

Prioridade: construir na Europa, de maneira pragmática, capacidades modernas, robustas, flexíveis e interoperáveis, ou seja, capazes de trabalhar juntas. O que é uma Europa potente politicamente que não possua qualquer meio diplomático e militar para implementar suas decisões políticas?

Os europeus devem poder enviar 60 mil homens, simultaneamente, em operações distantes. Não construiremos essas capacidades sem esforços de defesa suficientes a longo prazo. Mas esses esforços não devem mais ser dispersos, concorrentes, desequilibrados.

Só a União Européia dispõe do conjunto de instrumentos militares, políticos e financeiros que permitam uma estabilização profundas das regiões em crise. Devemos ter condições de acrescentar aos meios militares enviados capacidades civis européias, policiais, aduaneiras e magistrados.

Mas, quem pode acreditar que uma indústria européia fragmentada, concorrente em mercados estreitos, corresponda às nossas necessidades e sobreviva à concorrência internacional? Quem pode acreditar que permaneceremos por muito tempo competitivos com uma capacidade de pesquisa acumulada seis vezes inferior à dos americanos? Ouçam, os grandes protestos de independência me divertem, quando fazemos seis vezes menos, todos juntos, que os americanos. As nações européias precisam de indústrias de defesa fortes e competitivas, baseadas em um esforço de pesquisa e tecnologia reforçado e compartilhado.

Só há um caminho: dinamizar o mercado europeu do armamento, estimular por toda parte a cooperação e as aproximações para formarmos grupos europeus de envergadura suficiente em nível mundial, incentivar as exportações dentro do respeito às regras internacionais e do princípio de responsabilidade. Se não fizermos isso, pagaremos o preço amanhã. Não há escolha. Não vamos todos construir tanques, todos construir aviões, todos possuir indústrias de armamentos concorrentes, todos submarinos, naturalmente, em nome da unidade européia.

A Presidência Francesa da União Européia, que terá início em menos de duas semanas, será, como desejo ardentemente, a primeira etapa de uma verdadeira retomada da defesa européia para os próximos anos.

***

Voltemos portanto à questão da OTAN, e recoloquemos as coisas em sua justa perspectiva, como fez muito bem, aliás, a comissão do Livro Branco. Ela o fez dentro de uma óptica apartidária, baseando-se apenas nas realidades do que são hoje a OTAN, a Europa e a França.

Desde 1949, a França é membro da Aliança Atlântica. Desde 1949, repito. A França é até membro fundador da Aliança Atlântica. E, hoje, a França é um dos principais contribuintes em tropas. Lembro aos Senhores essas realidades que fizemos mal em não lembrar aos franceses. Essa aliança, a Aliança Atlântica, nossa Aliança é o símbolo da comunidade de valores e interesses transatlânticos. É, claro, a aliança entre os europeus e os Estados Unidos. Mas é também, não se fala suficientemente disso, um tratado de aliança entre as próprias nações européias. A OTAN não é simplesmente uma aliança com os Estados Unidos, é uma aliança entre nações européias.

A guerra fria terminou. Na Europa, nossos parceiros são, quase todos, membros da Aliança. Eles não compreendem por que insistimos em nos manter à parte. Continua-se perguntando, na Europa, se a França quer colocar a Europa da defesa contra a OTAN. Por causa disso, não se “europeíza” suficientemente a OTAN e não se permite o avanço da Europa da defesa. Observemos o que se passou, muito interessante, muito interessante: uma aliança que é seja suficientemente “europeizada”, uma Europa da defesa que não avança. Belo resultado.

Nossa posição, fora do comando militar, mantém uma certa desconfiança a respeito do objeto de nossa ambição européia. Isto é verdade particularmente, e podemos compreender, para todos os países da União que aderiram à OTAN depois de ter sido submetidos ao Pacto de Varsóvia. Porque, como explicar a países que conheceram o Pacto de Varsóvia que a OTAN é uma ameaça à sua liberdade? É preciso dar tempo... Porque aqueles que foram abandonados - porque eles foram abandonados durante anos - e que foram mantidos sob o jugo de uma ditadura comunista em um Pacto de Varsóvia que fazia reinar uma mão de ferro sobre metade da Europa, vá explicar isso a esses países que viveram isso, enquanto nós permanecíamos do lado bom do muro, que a entrada na Aliança é um questionamento de sua independência. Os Senhores não obterão o menor sucesso. Eu lhes digo isso. Porque, para esses países, a OTAN é o símbolo de sua segurança recuperada, como a União Européia é o símbolo de sua nova prosperidade. Eles se uniram a nós na Europa, pela liberdade e por mais prosperidade. E aderiram à OTAN por sua segurança. E como conheceram a miséria, a ditadura e o Pacto de Varsóvia, podemos compreender. Faço-me portanto seu advogado, descrevo simplesmente a Europa tal qual ela é. Porque a guerra fria terminou.

Hoje, a Comissão do Livro Branco concluiu - ela, a Comissão, não eu – que nada se opõe a que participemos das estruturas militares da OTAN. A França é um aliado independente, um parceiro livre. Faço meus, integralmente, os princípios colocados pelo general de Gaulle em seu tempo. Quais são esses princípios?
- a França manterá, em qualquer circunstância, uma liberdade total de apreciação sobre o envio de tropas a qualquer operação;
- a França não colocará qualquer contingente, de modo permanente, sob o comando da OTAN, em tempo de paz;
- a dissuasão nuclear da França permanecerá, contudo, estritamente nacional, tenho certeza. A própria existência de nossa dissuasão é uma contribuição para a segurança de toda a Europa.

Com base nesses princípio, que cada um, na Aliança, respeita, compreende e reconhece, poderemos renovar nossas relações com a OTAN sem temer por nossa independência, sem risco de sermos levados de roldão numa guerra, contra a nossa vontade. Uma França que retome seu lugar na OTAN representa uma Aliança que dê mais lugar à Europa. Eu desejo uma aliança mais européia. Mas, que alguém me explique como tornar uma aliança mais européia sem a França. Como se viu em Budapeste, quando a França e a Alemanha decidem por uma posição, a OTAN torna-se européia. Comecemos por relançar a Defesa Européia nos próximos meses. Porque, no meu entender, não pode haver progresso a respeito do ingresso da França na OTAN se não houver, previamente, um progresso na Europa da defesa. Prepararemos em seguida, juntamente com a Alemanha, a reunião de cúpula do 60º aniversário da Aliança, em 2009, em Estrasburgo e Kehl, que será um forte símbolo da afirmação européia e da renovação da parceria transatlântica.

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Os desafios que se encontram diante de nós para fazermos frente às novas realidades do mundo são numerosos. A chave de nosso sucesso é a coragem. Coragem é, em primeiro lugar, olhar as coisas de frente e assumir as consequências da verdade. Coragem, em seguida, é fazermos algo que detestamos fazer na França. É fazer verdadeiramente o que se anunciou. Não dizer, mas fazer.

Coragem é fazer escolhas, admitir que não se poderá fazer tudo ao mesmo tempo. Em um primeiro tempo, iremos preencher as principais lacunas, a proteção dos homens, o transporte estratégico e a aeromobilidade. Em um segundo tempo, iremos modernizar os materiais da aeronáutica e da marinha, acelerando-os. Em particular, tomaremos mais tarde a decisão a respeito do lançamento do programa do segundo porta-aviões, pois nada nos apressa hoje. Eu não quis assumir uma decisão na medida em que temos tempo para tomá-la.

Coragem, para o Ministério da Defesa, é levar a bom termo uma reforma – não hesito em empregar a palavra – histórica da organização territorial da defesa, que todos diziam ser impossível.

Coragem é manter o orçamento da defesa, apesar de um contexto orçamentário extremamente delicado. Não devemos absolutamente baixar a guarda. E, graças à reforma, o reforço do equipamento avançará consideravelmente. Comprometo-me quanto a essas perspectivas até o final do meu mandato, em 2012, inclusive.

Mas a coragem não basta e eu serei o garante da coerência dessa transformação:
- coerência entre o contexto estratégico e as respostas que lhe são dadas;
- coerência entre as missões dos homens e os recursos que lhes são confiados;
- coerência entre o conhecimento e a capacidade de ação;
- coerência entre o engajamento pela Europa e a participação na OTAN;
- coerência entre a preocupação de proteger o país e a capacidade de intervenção externa;
- coerência entre o esforço civil e o militar;
- coerência, enfim, entre o restabelecimento do nível de nossas forças armadas e a recuperação de nossas finanças públicas. Isto é coerente.

Estou decidido a ir até o fim com essa reforma. Não se enganem, nós a faremos, iremos até o fim, em todas as suas dimensões, porque sei que se trata de uma condição para nosso futuro. E o Primeiro-Ministro, o Ministro da Defesa e Jean-Marie Bockel podem contar totalmente com meu compromisso. Não haverá a menor sombra do que quer que seja, inclusive quando houver manifestações para protestar contra uma ou outra decisão.

Porque tenho plena consciência de que é preciso vencer os hábitos, vencer o corporativismo, trabalhar melhor em conjunto, no interior do território, por uma melhor proteção do país, adequar nossos planejamentos de crise e nossos instrumentos de gestão de crise.

Em seguida, precisaremos nos dedicar à construção de uma indústria de armamentos européia, ajudando ao mesmo tempo as nossas indústrias de defesa a se adequarem.

Precisaremos modernizar, ou seja gerir melhor, racionalizar, tornar mais ágeis os órgãos da administração central. Hervé Morin e Jean-Marie Bockel têm um grande canteiro de obras pela frente: reagrupar o Ministério da Defesa em um único local e reconstituir suas capacidades financeiras.

Será necessário reconhecer que nada será feito sem equipes motivadas, formadas, reconhecidas e remuneradas em seu justo valor, respeitadas por seu engajamento e que disponham dos materiais dos quais precisam. Será preciso saber apoiar-se nas gerações jovens, nas que irão viver e nas que são capazes de realizar a mudança.

Coragem, eu sei que todos os Senhores têm. Quero estabelecer um pacto de confiança com os Senhores. Porque sei que o maior desafio é o das mulheres e homens que decidiram engajar-se a serviço da segurança de seu país. Conheço a força de seu engajamento, a perseverança de sua ação para cumprir com suas missões e a constância da coragem que demonstram. Não pronuncio essas palavras em vão. Muitas vezes tive que consolar mães, esposas, filhos, famílias que choravam um ente querido que havia feito o sacrifício derradeiro por seu país. Isto diz respeito às forças armadas, às forças de segurança interna e de segurança civil.

Jamais devemos esquecer que por trás de cada força, por mais sofisticada que seja, existe uma mulher, um homem, e que o sucesso de uma missão repousa em primeiro lugar neles. Caso se pretenda contar unicamente com a tecnologia, pode-se ter o fracasso como certo. Desde a Grécia Antiga, nós sabemos: “não são as pedras, mas os homens que constituem os muros das fortalezas”. Um dos grandes desafios futuros é continuar atraindo para suas fileiras essas mulheres e esses homens. Todos os que aceitem livremente, nas forças armadas, na polícia, no corpo de bombeiros, na segurança civil viver de quê? Viver uma vida diferente.

É preciso também vontade política. A minha é a de mudar a maneira como os problemas de defesa e segurança em nosso país são abordados. Essas questões são importantes demais para serem tratadas apenas por um pequeno número de pessoas. Fez-se um péssimo uso do que se denominou domínio reservado.

Aceito o debate e até o reivindico. Nossa vontade, minha e do Primeiro-Ministro, é a de associarmos mais o Parlamento. As condições nas quais o Parlamento pôde participar da elaboração de nossa nova estratégia – digo-o perante os parlamentares aqui presentes – são absolutamente sem precedentes. Para que esse impulso seja preservado e prolongado, propus, na revisão constitucional em fase de exame, associar de modo transparente o Parlamento às decisões sobre as operações externas. Cada um assumirá as suas responsabilidades. Não se pode pedir mais democracia na gestão das questões de defesa e, ao mesmo tempo, fazer politicagem no momento da votação de uma revisão constitucional.

Os soldados franceses não são soldadinhos de chumbo do Presidente da República; eles são a concretização da vontade de nosso país. Seu engajamento em uma operação obedecerá a uma doutrina clara, conhecida por todos. O Parlamento será informado sistematicamente a respeito do envio de militares em operações. O Parlamento será consultado sistematicamente por meio de votação assim que se colocar a questão de sua manutenção além de 4 meses.

Tomei a decisã