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A indústria francesa Francesa
Ao longo dos últimos dez anos, a indústria francesa recuperou seu dinamismo e reafirmou a sua posição estratégica na Europa e no mundo ao se abrir para o exterior, acolhendo amplamente os investimentos estrangeiros e multiplicando sua participação no exterior. Voltando a cumprir a sua vocação para a exportação, a produção industrial aumentou 4% por ano desde 1996. Além do sucesso da indústria automobilística, esse crescimento permanece focalizado nos setores tecnológicos mais avançados (farmácia, aviação, telecomunicações). A pesquisa e a inovação desenvolveram-se dentro das empresas. Num contexto financeiro saneado, a dinâmica dos investimentos permitiu importantes ganhos de produtividade sem contudo prejudicar a retomada do emprego industrial.
Com 4.160.000 empregados, a indústria representa 19% do PIB em 2001 (incluindo energia e indústria agro-alimentar). Os produtos industriais representam a metade da despesa de consumo das famílias, 40% da formação bruta de capital fixo (FBCF), 79% das exportações de bens e serviços. Em 2001, eles obtiveram um saldo externo de 17 bilhões de euros (fora a energia), compensando assim o déficit com petróleo. Seis grupos franceses figuravam entre os cem maiores grupos industriais do mundo em 1999: Total-Fina-Elf, Peugeot, Renault, Alcatel, St-Gobain e Aventis. Um terço da atividade industrial na França está sob controle estrangeiro. Mas os investimentos diretos estrangeiros na França (3,9% do PIB em 2001) são inferiores aos investimentos franceses no exterior (6% do PIB em 2001). A pesquisa e o desenvolvimento das empresas industriais gira em torno de 1,4% do PIB (ou 16 bilhões de euros).
No início dos anos 1990, a França era freqüentemente considerada como a lanterna traseira dos grandes países industrializados. Mas, graças a suas tecnologias de ponta e à competência de sua mão de obra, a indústria francesa recuperou progressivamente seu dinamismo na Europa. Entretanto, ela teve que fazer face a várias crises no início dos anos noventa (crise do Golfo, explosão do sistema monetário europeu, conseqüências da reunificação alemã, etc.) e a produção industrial estagnou de 1990 a 1995. O contexto internacional melhorou em seguida graças ao dinamismo do crescimento americano e à implantação progressiva do euro. Com a recuperação de sua situação financeira, uma fase de expansão tem início e a indústria francesa irá então poder abordar, em boas condições, os imprevistos causados pela crise asiática de 1997-1998 e, mais tarde, o desaquecimento da economia americana e mundial iniciado em 2000 e agravado pelo choque dos atentados de Nova York de 2001. Produção manufatureira dos grandes países industrializados desde 1996
Abertura para o exterior e maior competitividade A indústria francesa voltou a ser competitiva. O superávit comercial em produtos manufaturados cresceu, atingindo em torno de um ponto de PIB há alguns anos. A participação das indústrias no mercado melhorou, enquanto regredia no Japão, na Alemanha e na Grã-Bretanha. Essa competitividade certamente foi favorecida pela alta do dólar em 2000-2001 e da libra esterlina desde 1997. Mas, na zona do euro, a situação francesa permanece favorável. Depois da implantação da moeda única, os custos de produção por unidade tornaram-se inferiores na França aos de seus vizinhos, e essa vantagem mantém-se graças a uma inflação controlada. Competitividade e a atratividade dependem também da qualidade da infra-estrutura. O território francês atrai novas empresas estrangeiras, porque conta com uma situação geográfica privilegiada na Europa e dispõe de recursos energéticos seguros e pouco onerosos, de uma rede de transportes e telecomunicações desenvolvida e de um sistema escolar e universitário de bom nível. Essa abertura para o exterior facilita também os investimentos franceses no exterior. Depois de um pico em 2000 causado por algumas operações excepcionais nas telecomunicações, eles representam 88 bilhões de euros, ou 6% do PIB em 2001, ultrapassando amplamente os investimentos estrangeiros na França ( 3,9% do PIB). Essas participações da indústria no exterior aceleraram-se nos últimos anos.
Desenvolver a atratividade do território Dessa forma, a França soube desenvolver sua indústria no exterior, ao contrário das indústrias alemã e japonesa. Cerca de 30.000 empregos vêm sendo criados a cada ano pelos investimentos estrangeiros na França, a metade deles na indústria manufatureira (ver o capítulo de Images de la France intitulado "Os investimentos estrangeiros na França"). Concentrados nos setores mais avançados, os grupos estrangeiros controlam 30% do potencial industrial francês, e cerca da metade na grande indústria. Uma contrapartida das posições assumidas pelos grandes grupos industriais franceses no exterior, essas participações estrangeiras permitem um enriquecimento tecnológico recíproco importante. Conscientes das implicações relativas à abertura industrial do país para a Europa e o mundo, os poderes públicos preocupam-se em manter a boa atratividade do território, sobretudo quando essas participações possibilitam a criação de empregos qualificados e transferência de tecnologia. A França esforça-se assim para melhorar a sua imagem e reduzir um certo peso administrativo gerado por um sistema social avançado. Ela também busca reduzir os encargos fiscais e sociais que pesam sobre as empresas industriais e, mais particularmente, sobre o emprego. Assim, os encargos sociais sobre os baixos salários foram fortemente reduzidos e a taxa profissional descontada dos salários é aliviada.
Uma indústria dirigida para os setores de ponta Cobrindo uma grande variedade de atividades industriais, a indústria francesa permanece amplamente dirigida para os setores de ponta (energia nuclear, petróleo, aviação, espaço, telecomunicações, etc.), isso seguindo a linha de uma política industrial que tem como eixo as grandes empresas públicas que asseguram a pesquisa tecnológica e a independência nacional. Mas, com a abertura das fronteiras, o desenvolvimento da indústria francesa repousa cada vez mais no sucesso comercial de suas empresas, no dinamismo de sua pesquisa e no domínio das tecnologias chaves. Assim, as indústrias francesas souberam ganhar grandes parcelas de mercado na Europa há cinco anos. A concorrência aumenta os esforços em inúmeras atividades. Nenhum atraso técnico é permitido, como demonstram certas dificuldades encontradas na área de informática.
Indústria e serviços: uma complementaridade e uma integração crescentes O crescimento dos serviços e o da indústria estão estreitamente ligados. Com efeito, a fabricação industrial aciona inúmeros outros serviços, sejam eles de pesquisa, engenharia, logística, comercial, administrativo ou de informática. Esses serviços ocupam um lugar crescente. Internamente, eles mobilizam um quarto do pessoal. Mas eles são, sobretudo, transferidos para outras empresas, e as compras de serviços representam uma parcela praticamente equivalente ao total do valor agregado industrial restante no interior das empresas. Esses serviços são variados. A pesquisa, principalmente, permanece como o apanágio dos grande grupos. Os serviços comerciais estão no centro do crescimento de inúmeras empresas industriais. Embora bem mais limitadas, as compras de serviços de informática vêm se desenvolvendo rapidamente. Os serviços gerais, administrativos ou de conservação da grande indústria, por sua vez, são cada vez mais transferidos para empresas externas. O desenvolvimento da empresa industrial depende, portanto, do desenvolvimento dos serviços associados, sendo estes últimos cada vez mais transferidos para outras empresas. Paralelamente, os equipamentos industriais assumem um lugar crescente nas atividades de serviços: a modernização dos materiais dinamiza os transportes; a informática revoluciona a logística; o hospital torna-se uma espécie de fábrica higt-tech; os computadores revolucionam a atividade bancária… Repartição e evolução dos empregos industriais (Taxa de evolução desde 1990)
Fonte: Insee Dares. Situado na fronteira da indústria, o setor de telecomunicações tem um papel fundamental na transformação atual do tecido industrial, com a privatização de suas grandes operadoras e o desenvolvimento das novas tecnologias da informação.
O investimento material e imaterial em crescimento Obrigada a permanecer no melhor nível tecnológico e organizacional, o crescimento industrial exige um esforço permanente de investimento, principalmente em equipamentos, mas também em matéria de inovação e pesquisa, de controle das novas tecnologias, de organização e de formação de homens. Pondo um fim ao marasmo dos anos 1990-1994, as compras industriais de equipamentos aumentaram ao ritmo de mais de 6% desde 1994. Notável em quase todos os setores, essa renovação do aparelho produtivo foi muito grande no setor automobilístico em 2000 e 2001. Uma constatação semelhante pode ser feita no que se refere aos investimentos imateriais (pesquisa e desenvolvimento, formação, softwares, organização, publicidade, etc.). A progressão das despesas de pesquisa e desenvolvimento Comparado ao de seus vizinhos europeus, o esforço global de pesquisa e desenvolvimento da França é bastante elevado, mas isso graças ao peso preponderante da pesquisa pública. Com o objetivo de tornar esse esforço mais produtivo, as indústrias foram assumindo progressivamente esse papel, e a pesquisa tecnológica das empresas atualmente tem progredido mais rapidamente do que o PIB. Entretanto, os registros de patente permanecem insuficientes, principalmente em alguns setores de alta tecnologia. Em matéria de inovação, os poderes públicos procuram dar apoio aos esforços das empresas (ver artigo de Imagens da França intitulado "A inovação e a criação de empresas inovadoras"). Segundo maior provedor de recursos, eles financiam 12% dos projetos inovadores. Embora os poderes públicos participem do financiamento de grandes projetos de grandes conseqüências tecnológicas, eles procuram sobretudo apoiar as pequenas e médias empresas inovadoras, em particular na fase arriscada de lançamento do projeto, através de diversos dispositivos (crédito de imposto para pesquisa, ajuda para as incubadoras, capital de risco, etc.). Esse apoio às pequenas e médias empresas é essencial, porque 80% dos projetos inovadores são auto-financiados, sobretudo por grandes grupos que dispõem dos meios financeiros e de competência para avaliar as chances de sucesso. Com o objetivo de reforçar a cooperação dentro das próprias profissões, eles animam redes de difusão das tecnologias (16 redes existentes no início de 2002 em biotecnologia, nanotecnologia, software, audiovisual, transportes terrestres, etc.).
Tecnologias da informação: um atraso na Internet a ser recuperado Meio de comunicação, de pesquisa, informação e marketing, a rede Internet é o símbolo da "nova economia". Embora o comércio eletrônica venha se desenvolvendo lentamente, inúmeras empresas já utilizam essa rede para otimizar suas relações técnicas e comerciais. Algumas empresas chegam até a racionalizar toda a sua organização interna em torno da Internet. Mas, nessa área, as empresas francesas estão em atraso com relação a suas homólogas européias e situam-se muitas vezes em último lugar nas comparações internacionais (cf. relatório CPCI 2002, ficha 59). Da mesma forma, as famílias francesas estão menos conectadas à rede que seus vizinhos. As indústrias estão portanto comprovando um grande dinamismo comercial. Elas colocam seus serviços comerciais no coração de sua estratégia de desenvolvimento, e o aumento de suas despesas com publicidade é duas vezes mais rápido do que em 1995. Além disso, elas contam com a força dos grandes grupos comerciais franceses, o que favorece a venda dos produtos industrializados franceses no exterior.
Crescimento do emprego, mas insuficiência de formação Enquanto de 1990 a 1995 a indústria francesa perdia cerca de 90.000 empregos por ano, de 1997 a 2001 ela criou 30.000 por ano. Este foi um dos melhores resultados na Europa (depois da Espanha, cuja taxa de desemprego ultrapassava os 20% em 1995), isso sem levar em conta todos os empregos gerados nas atividades de serviços que trabalham para a indústria. Devido em parte ao crescimento dos anos 1997-2001, esse aumento dos postos de trabalho resulta também:
Embora os salários mensais tenham apresentado uma relativa moderação, a redução do tempo de trabalho gerou uma aceleração dos custos horários, o que pede uma certa vigilância sobre as evoluções previsíveis dos custos unitários em 2001-2002. As necessidades em matéria de pessoal qualificado continuam sendo grandes. Elas comprovam a utilidade de uma política de formação dinâmica, não só nos níveis escolar e universitário, mas também em matéria de formação profissional. Ora, a França apresenta algumas lacunas nessa área. Por vezes insuficientes, as despesas de formação nas empresas são focalizadas nas pessoas dos mais jovens e que já possuem uma melhor formação, acentuando assim os desequilíbrios atuais relacionados à falta de qualificação dos empregados mais antigos e ao envelhecimento geral da mão de obra. Além disso, a taxa de atividade da população com idade para trabalhar é fraca na França, e a pirâmide das idades da mão de obra industrial está envelhecendo. Um grande esforço deverá ser feito para favorecer o recrutamento de jovens e para reciclar os trabalhadores mais antigos.
A recuperação da rentabilidade das empresas Desde 1996, a rentabilidade das empresas manufatureiras vem progredindo nitidamente. Os resultados contábeis das empresas industriais atingiram um pico em 2000, com 3,4% do faturamento, e a remuneração do capital melhorou em dez anos. Embora elevados nos bens de equipamento e nos bens intermediários, os ganhos de rentabilidade foram marcantes sobretudo no setor de farmácia e perfumaria e no automobilístico, confirmando o papel propulsor desses dois setores há vários anos. Os esforços empreendidos desde 1990 para desendividar a indústria permitiram a consolidação da base financeira dos grandes grupos industriais. Essa ações foram coroadas de sucesso, apesar dos recentes excessos de alguns grandes grupos vítimas da bolha especulativa sobre os valores tecnológicos em 2001. O peso das dívidas comerciais também caiu em dez anos, e não representa mais do que 26 dias de faturamento. Todos esses ganhos de rentabilidade permitiram que as empresas atravessassem sem grandes dificuldades os recentes reveses conjunturais (crise asiática, "e-crack", arrefecimento da economia americana, atentados de Nova York, etc.). Assim, a indústria francesa pôde financiar em boas condições os investimentos ligados à retomada industrial dos anos 1997-2000 e às reestruturações e compras de participação de alguns grupos industriais no exterior.
Um entendimento entre a administração pública e as indústrias Criada em 1996, a Comissão Permanente de Ação pela Indústria (em francês, CPCI) reúne, em partes iguais, os presidentes das principais federações industriais e representantes da administração pública. Ela possui duas missões: favorecer o entendimento entre as indústrias e os poderes públicos e informar a opinião pública a respeito da situação da indústria. A CPCI publica um relatório anual.
Documentos: L’Etat de l’Industrie Française, Relatório 2001 da CPCI, SESSI, setembro de 2001. L’Industrie Française – 2001-2002, Dados gerais – Analyse, SESSI, dezembro de 2001. L’Economie Française – 2002-2003, Relatório sobre as contas da Nação, Insee, livro de bolso – série Referências, junho de 2002. Sites na Internet: Site do Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee): www.insee.frSite da Direção Geral da Indústria, das Tecnologias da Informação e dos Correios (DIGITIP) e seu Serviço de Estudo e Estatística (SESSI): www.industrie.gouv.fr/accueil.htm
Esta ficha foi redigida por Georges Honoré, encarregado da conjuntura e do relatório da Comissão Permanente de Ação pela Indústria (CPCI) no Serviço de Estudos e Estatísticas Industriais (SESSI) do Ministério da Indústria. |
Ver também:
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