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A inovação e a criação de empresas inovadoras março de 2001
A França dispõe hoje de sólidos trunfos: uma formação e uma pesquisa científica de muito bom nível, um apoio público importante na área da pesquisa e da inovação, empresas competitivas e na vanguarda do progresso em alguns setores. Na prática, multiplicam-se as iniciativas e novas empresas são criadas em torno de projetos inovadores.
A progressão dos setores inovadores e tecnológicos Registro de patentes Em 2000, 17.357 patentes francesas foram registradas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), numa progressão de 2,8% em relação a 1999. Observa-se uma recuperação sensível e regular desde 1995, ano em que os pedidos de registro de patente atingiram seu mais baixo nível, com 15.896 pedidos. As solicitações de registro de patente apresentadas por particulares vêm aumentando mais (+5,5%) do que as apresentadas por empresas (+1%). O pedido de registro de patente europeu aumentou 9,9%. A progressão constatada é mais acentuada na área das tecnologias inovadoras. Essa área representa uma parcela crescente do número de patentes registradas na França: 33% em 1999, 43% em 2000 (fontes: INPI e Secretaria de Estado para a Indústria). O número de empresas criadas Ele vem aumentando desde 1999, sem, no entanto, alcançar o patamar de 1987, ou o de 1994 (fontes: Agência para a Criação de Empresas (APCE) e Secretaria de Estado para a Indústria).
A ação das redes de associações pela criação de empresas vem se profissionalizando em todo o território francês. A criação da Federação das Organizações que Contribuem para a Retomada e a Criação de Empresas (FORCE), em particular, visa oferecer um acompanhamento aos criadores de empresas. Essa federação reúne a rede France Initiative Réseau (França Iniciativa Rede), a Association pour le Droit à l’Initiative Economique (Associação para o Direito à Iniciativa Econômica - ADIE), as Boutiques Gestion (Lojas de Gestão) e a Entreprendre en France (Empreender na França), com o apoio da Caixa de Depósitos e Consignações (CDC) e do Banco das Pequenas e Médias Empresas (BDPME). A parcela representada pelos setores tecnologicamente inovadores (2) no conjunto das criações de empresas não pára de aumentar: de 3,9% no primeiro semestre de 1996, ela passou para 5,7% no primeiro semestre de 2000 e depois para 6,5% no segundo semestre. Além disso, constata-se que as criações ex nihilo são mais numerosas nos setores tecnologicamente inovadores: elas representam cerca de nove décimos do total das criações nesses setores, contra 6 décimos do total das criações para o conjunto da economia francesa. O aumento do número de empregados nesses setores é constante: +3,8% em 1998; +3,4% em 1999; +3,7% em 2000. Ele é particularmente evidente no setor de serviços de informática e nas atividades relacionadas às tecnologias da informação e da comunicação (TIC). Empresas criadas nos setores tecnologicamente inovadores*
(%) taxa de crescimento calculada em relação ao mesmo semestre do ano precedente. * As criações nos setores tecnologicamente inovadores correspondem às criações nos setores ligados às TICs, aos novos materiais e à biotecnologia. Por outro lado, constata-se uma parcela crescente de empresas criadas por titulares de diplomas de nível superior, em particular pesquisadores. De fato, os conhecimentos e as competências do criador e da equipe que o cerca são determinantes para o sucesso da empresa. A proximidade dos parceiros potenciais da empresa (redes, centros de pesquisa, escolas, etc.) surge como um fator de sucesso para a criação e o desenvolvimento das empresas. A mobilização do capital A criação e o desenvolvimento de empresas inovadoras requerem uma grande mobilização de capital. Apesar de uma redução do ritmo no segundo semestre, o ano de 2000 teve uma progressão espetacular dos investimentos nas novas empresas francesas: um bilhão de euros foi investido no capital de risco em 2000, ou +134% em relação a 1999. Esses recursos foram aplicados essencialmente nas jovens empresas de tecnologias inovadoras. Ao todo, foram investidos 5,3 bilhões de euros no capital-investimento (investimentos em empresas sem cotação na Bolsa, seja qual for o seu nível de desenvolvimento), ou 88,3% em relação a 1999 (fonte: Associação Francesa de Investidores em Capital – AFIC). A França ocupa o 2º lugar na Europa, atrás apenas da Grã-Bretanha e à frente da Alemanha. Constata-se que uma maior parcela dos capitais, na França, é investida no estágio de elaboração (primeiras etapas do financiamento): 48% do total de fundos investidos, contra 35% na Alemanha e 33% no Reino Unido (fonte: PricewhaterhouseCoopers). O Novo Mercado, criado em 1996, constitui o mercado dos jovens valores de crescimento na Bolsa de Paris e acolhe principalmente empresas de alta tecnologia. O número de empresas com cotação e os fundos levantados nesse mercado (correspondentes às introduções e aos aumentos de capital) constituem indicadores do dinamismo da economia. Das 151 empresas francesas entre as 158 cotadas nesse mercado, 75, ou seja a metade, tiveram o apoio do setor público, através da ação da Agência Nacional de Valorização da Pesquisa (ANVAR). Investimentos estrangeiros em progressão A progressão dos investimentos estrangeiros na França sofreu uma aceleração no ano 2000. Com +11,4% de empregos anunciados pelos investidores estrangeiros, o que significa 35.359 empregos, o ano 2000 registra um resultado recorde, confirmando que esses investimentos contribuem de maneira crescente para o dinamismo da economia nacional. Constata-se uma preponderância dos setores eletrônico, de telecomunicações e de informática. Eles são responsáveis por 9.934 empregos e geram 28% dos empregos anunciados em 2000 (fonte: Delegação para a Organização do Território e a Ação Regional – DATAR).
Desde muitos anos o setor público vem desenvolvendo ações em favor da inovação. Essa política é essencial em um contexto onde a concorrência internacional vem se intensificando. Ela compreende três eixos principais:
Essa política foi acompanhada de uma ação visando reforçar a posição da inovação entre as políticas desenvolvidas, em âmbito europeu, em favor do crescimento e do emprego. O apoio à pesquisa industrial e à inovação O apoio à pesquisa industrial Em 2000, os compromissos do Ministério da Economia, das Finanças e da Indústria (Minef) em apoio aos programas de pesquisa industrial representaram um aporte de 266,6 milhões de euros, numa progressão de 26,9% em relação a 1999, demonstrando uma inversão da tendência em relação ao decréscimo dos compromissos desde 1994. A utilização desses créditos de incentivo foi reorientada com vistas a:
A implantação de redes de pesquisa e inovação tecnológica (RRIT) Sob a égide do Ministério da Pesquisa e do Minefi, catorze redes de pesquisa e inovação tecnológica foram constituídas até o momento sobre temas tecnológicos prioritários (quatro nas TICs e três na biotecnologia e na saúde) com o objetivo de estimular as parcerias entre a pesquisa pública e a indústria. Trata-se de consórcios reunindo indústrias e laboratórios de pesquisa. Em 1º de julho de 2000, as cinco redes operacionais (telecomunicações, micro-nano tecnologias, tecnologias de software, transportes terrestres, pilhas de combustíveis) reconheceram a elegibilidade de mais de 350 projetos de pesquisa e desenvolvimento (R&D em francês) e rotularam 192 projetos correspondentes a um total de trabalhos de 335 milhões de euros. A ação da ANVAR A Agência Nacional de Valorização da Pesquisa (ANVAR) apóia a inovação nas pequenas e médias empresas contribuindo para o financiamento das despesas em R&D ligadas a seus projetos de inovação. Ela pode, por outro lado, participar do financiamento do recrutamento de pessoal de nível científico e técnico. A agência acompanha também as empresas através de consultorias e de uma intermediação entre parceiros graças a suas 25 delegações regionais. Em 2000, a ANVAR acompanhou e financiou 3.240 iniciativas no valor total de 217,18 milhões de euros, numa progressão de 1,8% em relação a 1999. Esses aportes compreendem, entre outros, 1.377 ajudas para o desenvolvimento e a exeqüibilidade de projetos e 1.047 ajudas para a contratação de pessoal. A agência reforçou recentemente as suas intervenções em favor da criação de empresas e estendeu-as às inovações de serviço. No que se refere ao apoio à criação de empresas, a ANVAR concedeu, em 2000, 706 ajudas a 617 empresas de menos de um ano e ainda a criadores de empresas, totalizando 45,69 milhões de euros, o que corresponde a um aumento de 67% em número e de 47% em volume em relação a 1999. A ANVAR, por outro lado, administrou a concorrência de ajuda para a criação de empresas de tecnologias inovadoras do ministério da Pesquisa (25,92 milhões de euros). A reforma do crédito de imposto para pesquisa O crédito de imposto para a pesquisa (em francês CIR) foi renovado em 1999 por mais cinco anos, com algumas reordenações para as empresas inovadoras em fase de criação. Ele é calculado com base no crescimento das despesas de pesquisa e desenvolvimento realizadas pelas empresas. O montante global do CIR vem aumentando: de 450 milhões de euros em 1998, ele passou para 510 milhões de euros em 1999. Em 1999, as empresas beneficiárias do CIR que apresentam um faturamento de menos de 30,5 milhões de euros representavam 15% das despesas com pesquisa e desenvolvimento e 36% do CIR. As empresas com mais de 76,3 milhões de euros de faturamento representavam 78% das despesas de pesquisa e desenvolvimento e 54% do CIR. A difusão das tecnologias e da inovação O programa Atout Seu objetivo é ajudar as pequenas e médias empresas a dominar as novas tecnologias e a executar as transformações decorrentes de seu emprego. As duas áreas prioritárias são as tecnologias da informação e da comunicação e as tecnologias de produção. Esse programa é executado de maneira desconcentrada pelas direções regionais da indústria, da pesquisa e do meio ambiente (DRIRE) e tem sido objeto de acordos nos contratos de planejamento entre o Estado e as Regiões (CPER) para o período de 2000-2006. O estudo sobre as tecnologias essenciais A obra "Tecnologias-Chaves 2005" foi publicada no final de 2000, como resultado de um trabalho coletivo que tinha por objetivo definir os desafios tecnológicos dos próximos anos. Trata-se de um instrumento prático colocado à disposição das empresas, dos organismos e dos laboratórios públicos e privados de pesquisa. A inovação na reforma do código dos mercados públicos O novo código prevê que a inovação seja agora levada em conta nos mercados públicos: as empresas poderão oferecer variantes em relação às especificações técnicas da oferta básica. A sociedade da informação O ingresso da França na sociedade da informação faz parte das prioridades da ação governamental. Seu objetivo é construir uma sociedade da informação para todos e recuperar o atraso da França na área da internet. O programa de ação governamental para a sociedade da informação (PAGSI) definiu um conjunto de medidas relativas à apropriação das novas tecnologias da informação e da comunicação pelos cidadãos, pelas empresas e pelas administrações. Um ambiente mais favorável O acompanhamento da fase inicial
Foram criados cinco fundos de incentivo de âmbito nacional: I-Source, especializado nas tecnologias da informação e da comunicação, com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e Automática (INRIA); Emertec, especializado em microeletrônica, com o apoio do Comissariado para a Energia Atômica (CEA); Bioam, especializado nas biotecnologias, com o apoio do Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), do Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica (INRA) e do Instituto Nacional de Saúde e Pesquisa Médica (INSERM); C-Source, especializado nos conteúdos de multimídia, com o apoio do INRIA e da Escola Nacional Superior (ENS) de Cachan; T-Source, especializado nas telecomunicações, com o apoio do Grupo de Escolas das Telecomunicações (GET). Cinco projetos de fundo de incentivo de âmbito regional foram objeto de um acordo no contexto da concorrência de projetos (Midi-Pireneus, Auvergne-Limousin, Norte-Pas-de-Calais, Rhône-Alpes, Franche-Comté) e dois estão em fase de estudo (Île-de-France e Provence-Alpes-Côte d’Azur).
As ações em favor do capital-investimento Foi grande o aumento da oferta na área do capital-investimento e, mais particularmente, do capital de risco, durante o período mais recente, com um estímulo significativo dos poderes públicos: abrandamento do regime de fundo comum de aplicação de risco (FCPR) e das empresas de capital de risco (SCR); lançamento de fundos comuns de aplicação na inovação (FCPI); criação do Fundo Público para Capital de Risco, agora substituído pelo Fundo de Promoção do Capital de Risco 2000 (FPCR 2000). Essas ações contribuíram para o aumento do número de participantes e do porte dos fundos de investimentos.
O incentivo à criação de empresas inovadoras Além dos dispositivos precedentes visando acompanhar e facilitar o financiamento das empresas em criação, foram tomadas diversas medidas com o objetivo de favorecer a criação de empresas inovadoras:
A sessão de 2001 concedeu um crédito de 30,49 milhões de euros. Entre os 1.481 projetos apresentados, foram selecionados 238 (fonte ANVAR). A formação A formação e a cobertura das necessidades de recrutamento dos setores inovadores é uma dimensão essencial da política pela inovação. Entre as medidas tomadas pelo governo, vale citar: o desenvolvimento da oferta de formação na área das tecnologias da informação e da comunicação (em particular, com o duplicamento das turmas das escolas do GET – Grupo das Escolas de Telecomunicações – e o aumento significativo do recrutamento da Escola Superior de Eletricidade – Supélec) e do desenvolvimento da formação. A formação para a função de empresário e o desenvolvimento do espírito de empresa têm sido objeto de ações desenvolvidas todo ano, em particular com nossos parceiros europeus. A dimensão comunitária Por iniciativa da França, foi criado um "quadro europeu de orientação sobre a inovação". Ele permitirá que se estabeleçam os objetivos qualitativos e quantitativos visando melhorar a situação comparada da Europa em relação aos Estados Unidos e ao Japão em matéria de inovação. A questão da patente comunitária também esteve presente entre os temas prioritários da presidência francesa da União Européia em 2000, tendo como objetivo chegar a um instrumento simples e realmente comum a todos os países europeus. Por fim, o programa-quadro de pesquisa e desenvolvimento (PCRD) é um elemento essencial da política européia de apoio à inovação. O 5º PCRD, que cobre o período de 1998-2002, recebeu uma dotação de 13,7 bilhões de euros. Ele permitiu o apoio a ações de pesquisa empreendidas em parceria por órgãos de pesquisa e empresas de diferentes países da União Européia.
ANVAR (Agência Nacional de Valorização da Pesquisa): DATAR (Delegação para a Organização do Território e a Ação Regional): INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial): Ministério da Economia, das Finanças e da Indústria (Minef): www.industrie.gouv.fr/acueil.htm Ministério da Pesquisa:
Esta ficha foi redigida pela ANVAR.
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