Ministério das Relações Exteriores.

O rejuvenecimento do "Arts Déco"

Expor objetos de arte que fazem parte da vida cotidiana:
campanha que anuncia a reabertura do museu.

Reabertura em grande estilo do Museu de Artes Decorativas de Paris. Depois de uma reforma de seis anos, o edifício reencontrou seu esplendor e sua claridade. Nele, está uma das mais importantes coleções de artes decorativas do mundo, ou seja, cinco séculos da arte de viver à francesa.

O novo museu é uma felicidade. A reabertura do “Arts Décoratifs”, em setembro de 2006, ocorreu em meio a uma pletora de elogios - após dez anos fechado, seis dos quais em reforma - o que é sem precedentes, desde sua instalação na ala direita do palácio do Louvre há mais de um século. Quatro equipes de arquitetos e um encarregado de obras públicas reestruturaram 9.000 metros quadrados para receber as magníficas coleções de mobiliário, louças, objetos de uso cotidiano e de decoração, da Idade Média a nossos dias.

Destacando-se da nave central, nas galerias distribuídas pelos andares do edifício, estão expostas 6.000 das 150.000 obras do acerco do museu. Essas peças restauradas e ainda plenas de lembranças, são organizadas em conjuntos harmônicos que recriam ambientes de salas, copas e escritórios dando-lhes alma. “O objetivo nunca foi mostrar mais, mas, sempre, mostrar melhor”, afirma a diretora do museu, Béatrice Salmon.



Tesouros saem do esquecimento

Vários séculos de estilos europeus desfilam: retábulos, caixas e estátuas do gótico tardio alemão, italiano, espanhol e francês do século XIII ao século XVI; madeirames esculpidos, retratos, vitrais e tapeçarias marcados pela Renascença italiana; influências das casas de marcenaria da Europa do Norte, dos Países Baixos ou da Alemanha dos séculos XV e XVI, o brilho da marchetaria parisiense e seus motivos florais em escamas, marfim e chifre da segunda metade do século XVII. O deslumbrante século XVIII, idade de ouro da porcelana e dos artigos chineses, encerra-se com a necessidade de despojamento e lança um novo olhar sobre a Antigüidade, que já anuncia o Império – neoclassicismo em voga sob Napoleão I, no início do século XIX, antes de ser desafiado pelas linhas curvas...

O espaço dedicado aos séculos XIX e XX dobrou e tesouros saem do esquecimento. Uma sala reúne mobília e objetos negros de origem francesa e inglesa da metade ao final do século XIX, época em que esta era a cor do luxo. O papel machê negro incrustado de nácar causava furor por seu efeito suntuoso a um preço acessível. As formidáveis salas do Art Nouveau – estilo moderno que privilegia curvas, volutas e motivos florais como reação ao academicismo triunfante do final do século XIX – e do Art Déco – que, ao suceder o estilo precedente, apura seu excesso e reintroduz formas geométricas – por si só merecem uma visita.

Dois percursos, um cronológico e outro temático, entrecruzam-se delicadamente; eles propõem pequenas piscadelas (frasqueiras de viagem do século XIX ao lado de maletas de piquenique modernas e sua louça de plástico colorido) e agradáveis surpresas. Os “period-rooms”, por exemplo, formam dez interiores de época reconstituídos com objetos autênticos: o quarto de dormir de um castelo do final da Idade Média na Auvergne, o salão de um hotel da Praça Vendôme em Paris, de 1795, o apartamento azul da estilista Jeanne Lanvin em 1925...

Transmissão de conhecimento

A restauração de cada um dos 6.000 objetos expostos, desde o cuidadoso desempoeiramento até a restauração “fundamental” (substituição de peças), foi realizada durante seis anos pela equipe interna do museu, reforçada pelo trabalho de uma centena de tecelãos, bordadores, passamaneiros, pintores-decoradores, tapeceiros, marceneiros, contribuindo dessa maneira para a transmissão de conhecimentos. O museu, cuja excepcional biblioteca formou gerações de profissionais, retoma, aliás, sua vocação pedagógica inicial ao oferecer uma sala de estudos, uma sala de conferências e reforçar suas formações.

Administrativamente, o museu possui um status híbrido. No que se refere às obras, o Estado investiu 21 milhões de euros e o museu 14, graças à atividade política de mecenato conduzida por Hélène David-Weill, presidente do “Arts Décoratifs” desde 1995. Nascida de uma iniciativa privada, a casa é responsável por 95% das doações particulares para as coleções.

Antes, de acordo com a diretora, esse museu era um “mal amado”. Hoje, provocador, apaixonante, emocionante, tem tudo para tornar-se o favorito do público, desde as famílias até os redatores de moda passando pelos estudantes e artistas, colecionadores de arte e, é claro, os turistas...

Monique Perrot-Lanaud, jornalista

Museu de Artes Decorativas da Cidade de Paris:
107, rua de Rivoli, 75001 Paris. Tel. (33-1) 44 55 57 50.
Site internet: www.lesartsdécoratifs.fr

Refeita, a nave central resgatou sua altura e sua luz. Ela será destinada às exposições temporárias.