Ministério das Relações Exteriores

 

Comunicação política: Mundos virtuais e receitas de antigamente


Exercício midiático com ares de democracia direta: o candidato de direita e Ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, responde ao vivo às perguntas de um grupo de 100 franceses em um programa político da emissora privada TF1.

A comunicação política é seduzida pelas novas tecnologias, não negligenciando, entretanto, as manifestações públicas e a presença na televisão.

A grande inovação do ano de 2007 em matéria de comunicação política foi a intromissão da campanha eleitoral no “Second Life”, jogo na Internet no qual os protagonistas encontram-se on line, criando para si uma vida digital. Lá, a Frente Nacional abriu um escritório, enquanto a personagem digital da candidata socialista Ségolène Royal passeia por esses ambientes virtuais.

Mais uma etapa rumo à “virtualização” da comunicação política? Ainda é cedo para afirmar. É fato, entretanto, que o marketing eleitoral deixou-se seduzir pelas novas formas de comunicação e os sites dos dois principais partidos na disputa dão provas disso, cada um a seu modo: o site do PS está organizado em torno da discussão e de um amplo fórum e o site da UMP tem um canal de televisão na web.

Contato direto

Apesar das tentações do mundo virtual, as equipes dos candidatos não abandonam o espaço tradicional do encontro, que continua a ser uma ação estratégica central. Ainda que cada um aja de acordo com seu estilo. O candidato que representa a maioria, Nicolas Sarkozy, entrou oficialmente na disputa presidencial diante de uma multidão de militantes reunidos em um local gigantesco destinado normalmente a feiras e eventos, para uma espetacular encenação à americana. Ségolène Royal prefere multiplicar os encontros em escala humana, com os membros dos comitês locais “Désirs d’Avenir” (Desejos de Futuro): a candidata é vista com o microfone na mão, sem tribuna, nem palco, ao centro de uma platéia que faz perguntas de maneira informal, literalmente “na escuta” de seus partidários, como propõe seu programa de democracia participativa.

Nessa batalha das comunicações, a mídia tradicional não é absolutamente negligenciada. François Bayrou, candidato do partido de centro UDF, fez dela o tema central de sua campanha, acusando as grandes redes de televisão e estações de rádio de dar importância excessiva a Nicolas Sarkozy e Ségolène Royal. As entrevistas exclusivas, as “pequenas frases” (declarações de impacto destinadas a ser repetidas pela imprensa), os convites dos jornais televisivos permanecem essenciais por sua capacidade de abranger uma vasta audiência, chegando ao centro dos lares tão cortejados da “França profunda”.

Jade Lindgaard,
jornalista da revista cultural Les Inrockuptibles.

Para saber mais:

La Crise de la parole aux sources du malaise politique (A crise do discurso na origem do mal-estar político), de Philippe Breton, editora La Découverte, Paris, 2006.

Les Blogs, nouveau média pour tous (Os blogs, nova mídia para todos), de Benoît Desavoye, M2 Editions, 2005.