Ministério das Relações Exteriores

 

Parques naturais regionais. À reconquista dos territórios


“Vulcões, pântanos, bosques e florestas, os parques naturais regionais reúnem toda a variedade das paisagens francesas. Ao lado, a duna de Pilat, voltada para o Oceano Atlântico, no sudoeste.”

Criados há quarenta anos, os parques naturais regionais (PNR) visam conciliar dinamismo econômico e preservação do patrimônio natural. O conceito passou no teste. Atualmente, 44 PNRs ocupam 13% do território nacional e uma dezena de novos parques está em fase de projeto.

Um PNR é sempre uma aposta na busca pela harmonia entre a natureza e a cultura, entre o patrimônio e a modernidade, entre a proteção do meio ambiente e o desenvolvimento econômico... “Com uma filosofia, insiste Michel Moyrand, presidente do parque Périgord-Limousin, voltada para o homem no coração do território.”


“Rocamadour, antiga cidade fortificada da Idade Média, que domina a garganta do Alzou, é um local de maravilhas arquitetônicas e uma paisagem única.”

Elaborado ao longo de dez anos de reflexões, estudos e acordos (com os eleitos e, recentemente, com os próprios habitantes), um PNR nasce quando uma região rural decide dinamizar seu desenvolvimento, apoiando-se em seus trunfos: a riqueza de seu patrimônio natural e construído, a variedade de suas terras, a beleza de suas paisagens, etc. Distribuídos no conjunto do território metropolitano e de além-mar, os PNRs contam com as mais emblemáticas paisagens do país: vulcões (Auvergne), delta (Camargue), montanha (Queyras), floresta tropical (Guiana), lagos (Brière, Brenne), além de banhados, bosques, pântanos, pastagens e grandes plantações.

As mais emblemáticas paisagens

O primeiro parque regional foi criado em 1968 no departamento do Norte, com uma superfície de 12.000 hectares. Buscava-se, na época, responder à pressão urbana da metrópole Lille-Pubaix-Tourcoing, que ameaçava as excepcionais áreas naturais. 32 dos 44 parques, assim como o primeiro, fazem fronteira com grandes aglomerações. Os outros - como os mais recentes, os dos Pireneus Catalães e de Millevaches (centro da França) -, ao contrário, floresceram em territórios abandonados, vítimas do êxodo rural.

O tamanho dos PNRs é bem variável. O de Camargue conta com apenas duas comunas, o parque do sul do maciço de Vosges cem vezes mais, compreendendo três regiões e quatro departamentos! O parque de Brière (costa atlântica) estende-se por 49.000 hectares, ou seja, aproximadamente um décimo do parque de Vulcões da Auvergne. Alguns são quase desertos (1,5 ha/km² na Guiana), outros são densamente povoados (190 ha/km² no parque de Haute-Vallée de Chevreuse, perto de Paris).

A gestão apóia-se sempre em um contrato passível de ser revisto a cada dez ou doze anos. Aprovado pelo Estado, ele é implementado por um sindicato misto que reúne representantes da população (eleitos, empresas, associações, etc.). Contrariamente a um parque nacional, um PNR não busca impor respeito a seu contrato, mas prefere, sim, convencer seus signatários, recorrendo fartamente, para isso, à informação, motivação e sensibilização. A sanção pode, contudo, ocorrer no momento da renovação do contrato e uma região pode ser desclassificada se não cumprir com a tarefa de preservação do meio ambiente.

Borboleta conhecida como flamejante


“Os parque naturais regionais envolvem 220.000 empresas, das quais 30% são agrícolas."

Vigor turístico e econômico

O selo PNR dá direito a subvenções do Estado, das coletividades territoriais e da União Européia. Ele concede, principalmente, grande visibilidade em matéria de turismo e favorece a criação de pousadas, trilhas, passeios ecológicos, produção local (agrícola e artesanal)... com a marca registrada “Parque Natural Regional”.

Suas ações, aliadas a uma ampla política de comunicação, estimulam a freqüência do território, fazendo com que os habitantes locais recuperem a confiança. A economia local passa a ter novas oportunidades de negócios, acompanhadas pela chegada de novos habitantes: aposentados (franceses e estrangeiros) e muitos jovens atraídos pela qualidade de vida e pelas perspectivas de desenvolvimento. Além disso, a chegada de crianças escolarizadas impede o fechamento de salas de aula. Os artesãos e comerciantes, por sua vez, assistem ao fortalecimento de suas atividades. Pouco a pouco, uma dinâmica de reconquista começa a funcionar, transformando profundamente o território.


Natural ou nacional?

A França tem sete parques nacionais (Vanoise, Écrins, Mercantour, Port-Cros, Cévennes, Pyrénées, Guadeloupe). Sua principal vocação é a conservação de um “santuário”, espaço natural frágil que não foi sensivelmente alterado pela ação humana. Um PNR, ao contrário, é um território cujas paisagens resultam da interação entre homem e natureza. Eles se mantiveram através dos tempos graças a métodos e culturas que respeitam o meio ambiente.


Repercussão internacional

Fortalecidos em razão de seu sucesso na França, alguns PNRs criam laços estreitos com outros parques em todo o mundo, sobretudo na Europa, mas também na América Latina e na África: o parque do Luberon e a região Provence-Alpes-Côte d’Azur levam sua experiência para a criação do futuro PNR de Bouhachem, no Rif, região norte do Marrocos.

E. T.


“As margens do Loire, maior rio da França, fazem parte do patrimônio mundial da UNESCO.”

Em fase de projeto

Entre a dezena de parques em fase de projeto, o mais original é, sem dúvida, o parque natural marinho de Iroise, no Finistère (Bretanha). Esse novo conceito “emergiu” após o abandono de um projeto de parque nacional. A vasta superfície escolhida (100% marinha) permitirá que as atividades econômicas e de lazer sejam integradas às preocupações ambientais, fazendo também com que o maior campo de algas marinhas da Europa receba 120 espécies de peixes, centenas de invertebrados e um quarto da população francesa de mamíferos marinhos (focas e golfinhos).

Os PNRs em números

Os 44 PNRs representam 13% do território nacional (7 milhões de hectares). Eles envolvem 3 milhões de habitantes, 220.000 empresas (das quais 30% são agrícolas) instaladas nos 66 departamentos da França metropolitana e 2 departamentos de além-mar. A floresta ocupa 37% de seus territórios. Os PNRs contam também com 9 das 22 zonas úmidas de interesse internacional. Dois locais fazem parte do patrimônio mundial da Unesco: a reserva natural de Scandola, na Córsega, e as margens do rio Loire.

E. T.


Para saber mais:

http://www.parcs-naturels-regionaux.tm.fr/fr/accueil/

Site da federação dos PNRs. Nele encontram-se a lista dos parques e seus endereços, além de muitas informações.