| Olivier
Py ou a religião do teatro

Com
quarenta e um anos, o jovem dramaturgo e diretor
teatral assume a direção do
mítico Théâtre de l’Odéon
em Paris, um “teatro da Europa”,
cujas portas deseja abrir a todos os horizontes.
Olivier
Py é um personagem à parte no
mundo teatral francês. Esse criador
é um faz-tudo - dramaturgo, ator e
diretor - que não leva as modas a sério.
Um homem politicamente engajado, que denuncia
desigualdades e barbáries, católico
e homossexual assumido.
Formado pelas melhores escolas, tendo passado
pelas aulas de literatura do renomado colégio
Fénelon de Paris e, em seguida, pelo
Conservatório Nacional Superior de
Arte Dramática de Paris, Olivier Py
construiu um caráter e um talento únicos
com as experiências que viveu. Formado
em filosofia e teologia, apaixonado por Paul
Claudel, Jean Giraudoux e Jean Genet, escreveu
suas primeiras peças antes dos vinte
e cinco anos, que foram encenadas em pequenas
salas e cafés da capital. Ao mesmo
tempo, montou obras de autores contemporâneos,
como o Sapato de Cetim de Paul Claudel, num
total de doze horas de espetáculos
em 2003.
Criador
incansável
O
teatro de Py, lírico e ardente, ambiciona
oferecer ao maior número de pessoas
uma “consciência do mundo”
e apresentar a “totalidade humana”.
Ele amplia os limites da representação
teatral, como em A Servente, peça-maratona
com a duração de vinte e quatro
horas, encenada em 1995 no festival de Avignon.
Em 1998, com apenas trinta e três anos,
Py assumiu a direção do Centro
Dramático Nacional de Orléans
(Região Centro). Em dezembro de 2006,
foi escolhido pelo ministro da Cultura, Renaud
Donnedieu de Vabres, para assumir a direção
do Odéon por um período de cinco
anos, a partir de março de 2007. Essa
sala, jóia do teatro de arte no coração
do quartier latin, passou por uma reforma
entre 2003 e 2006, passando a contar com uma
extensão em um bairro mais popular
de Paris (Les Ateliers Berthier no 17o distrito).
Símbolo de um teatro de tradição
mas também de subversão, ele
foi o cenário da criação
das Bodas de Fígaro de Beaumarchais
em 1784, e o lugar privilegiado da contestação
estudantil em maio de 1968.
Um lugar que, desde o século dezoito,
encarnou o patrimônio nacional (por
muito tempo subordinado à Comédie
Française) e a abertura européia,
uma vez que se tornou, desde 1983, sob a direção
do italiano Giorgio Strehler, o “Teatro
da Europa”. Essa “missão
européia”, Olivier Py quer “estender
geograficamente ao Leste e ao Sul, ao Magreb,
à Turquia e ao Oriente Médio”,
em um movimento de dupla abertura, junto aos
criadores contemporâneos e junto ao
grande público, com um teatro de “prestígio
para todos”.
“Ao invés do teatro na cidade,
desejo fazer do Odéon uma cidade do
teatro. Um espaço vivo onde sempre
acontecerá algo, que assume sua responsabilidade
institucional, artística e educativa.”,
acrescentou o diretor durante o anúncio
de sua nomeação.
Decididamente cheio de idéias e projetos
para sua nova missão, Olivier Py também
declarou querer construir pontes entre o Odéon
e uma editora, além de escolas, com
esse mesmo desejo de construir um teatro aberto
ao maior número de pessoas. Um projeto
ambicioso no qual, confessa, não renunciará
a dedicar-se a suas próprias obras,
novas ou antigas, pois a criação
não é contraditória,
para esse artista fecundo, com seu cargo de
diretor.
Pierre
Langlais, jornalista
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