| O
renascimento das comédias à
francesa
O
cinema francês aposta no charme e no
humor e isso dá certo. Três comédias
românticas conquistaram um público
inesperado com irresistíveis casais
de apaixonados.
Prête
moi ta main (Me empreste a mão),
de Eric Lartigau, bateu os recordes
de público, levando às
salas mais de três milhões
e meio de espectadores, graças
a seu roteiro original e um elenco
de peso. Luiz, solteiro renitente
interpretado por Alain Chabat (que,
além de ator, é produtor
e diretor de Didier e Astérix
contra Cleópatra), leva uma
vida calma até o dia em que
suas mãe e irmãs, cansadas
de cuidar do solteirão, decidem
que ele deve se casar o mais rápido
possível. O protagonista bola,
então, um plano: alugar uma
noiva ideal que o abandonará
logo após o casamento, protegendo-o,
para sempre, das ingerências
familiares. Para o papel de mulher
perfeita, Luiz escolhe Emma, irmã
de um colega seu, de temperamento
forte, interpretada de maneira tão
ousada por Charlotte Gainsbourg que
o efeito não podia ser melhor.
|


“Essas
três variações
sobre o casal, fantasiosas e ao mesmo
tempo atuais, conquistaram um grande
público.”
|
 |
Com Hors de
Prix (Caro demais), Pierre Salvadori
reúne, pela primeira vez em
um filme, Audrey Tautou, nossa “Amélie
Poulain” nacional, e Gad Elmaleh,
humorista preferido os franceses.
Jean, garçom tímido
e sem dinheiro, finge ser milionário
para Inês, uma aventureira sensual
e venal que circula pelos palácios
da Côte d’Azur em busca
de homens ricos. Quando descobre a
farsa, ela logo abandona o garçom,
mas Jean, enfeitiçado pela
beldade, está disposto a tudo
para reconquistá-la. Um roteiro
doce e amargo, que dá, aliás,
uma lição de sedução
um tanto amoral. Um ar de comédia
hollywoodiana e um casal de atores
fantástico fazem deste filme
um divertimento delicioso.
Num tom totalmente
distinto, o ator Roschdy Zem estréia
no papel de diretor com o filme, Mauvaise
Foi (Má-fé), uma comédia
social que aborda com humor o difícil
tema dos casais mistos. Clara (Cécile
de France), judia, e Ismael, muçulmano,
são um casal feliz até
o dia em que ela engravida. A relação
do casal passará, então,
por duras provas e terá de
achar seu caminho entre o peso das
tradições, os reflexos
identitários e outras pressões
familiares. Roschdy Zem, que também
faz o papel de Ismael, mostra bem
os obstáculos culturais e religiosos
entre as duas comunidades. O filme,
com diálogos deliciosos, passa
do humor à seriedade sem adotar
uma postura maniqueísta. Uma
bela mensagem de tolerância.
|
|