Ministério das Relações Exteriores.

Os 25 anos da Casa das Culturas do Mundo
O mundo canta e dança em Paris


“Espetáculo de kathakali, teatro dançado do sul da Índia”.

A Casa das Culturas do Mundo comemora seus vinte e cinco anos em 2007. Oportunidade para falar sobre essa experiência única na França, um lugar integralmente dedicado a todas as formas de espetáculos do mundo: canto, música, dança e teatro.

Onde escutar uma orquestra de gamelans[1] indonésios, ver uma dança indiana de kathakali, ouvir a harpa tuyera da Venezuela, descobrir os xilofones timbila de Moçambique ou as marionetes sobre a água do Vietnã? Em Paris! A Casa das Culturas do Mundo (MCM), situada no bairro de Montparnasse, permite que se parta ao encontro daquilo que o mundo produz de melhor em matéria de espetáculos.

Criada em 1982, a Casa das Culturas do Mundo está diretamente relacionada a um casal: Chérif Khaznadar e Françoise Gründ. O primeiro, filho de pai sírio e mãe francesa, apaixonado por teatro, descobriu a França quando era estudante. Eram os anos 60, época em que a França descobria os teatros do mundo, por intermédio do Teatro das Nações, lugar de confronto das trupes vindas de fora. Uma carreira na área cultural, na Tunísia e depois na França leva-o, em 1974, a Rennes (Bretanha), onde, como diretor da Casa de Cultura, criou o Festival de Artes Tradicionais, primeira manifestação na França destinada àquilo que ainda não se chamava de “músicas do mundo”. O sucesso foi imenso, fazendo com que Chérif propusesse ao ministro da Cultura a criação de um lugar inteiramente destinado aos espetáculos do mundo. Essa associação foi finalmente criada em 1982 pelo então presidente da República, François Mitterrand.

 

A segunda, Françoise Gründ, é mulher de Chérif Khaznadar e foi, durante dezoito anos, a diretora artística da Casa. Apaixonada por viagens e espetáculos, percorreu o planeta inteiro por vários anos em busca desses músicos de aldeia, dançarinos virtuoses, vozes extraordinárias que, na maior parte das vezes, eram desconhecidos fora de suas regiões.

Em busca de talentos

A especificidade da Casa das Culturas do Mundo é apresentar artistas que, na maior parte dos casos, nunca foram produzidos em outros lugares. A MCM pode se congratular por ter descoberto talentos que hoje são célebres, como Alim Kasimov, virtuose do mugam, arte cantada do Azerbaijão, ou Ali Faïz Ali, a voz de ouro do Paquistão.

“95% dos artistas que apresentamos nunca vieram antes à França, nem mesmo fizeram turnês no exterior”, explica Chérif Khaznadar, em seu escritório, onde reinam, como anjos da guarda entre livros e pastas, duas marionetes indonésias...


“O festival do Imaginário é um dos pontos fortes da programação da MCM.”

“Fundador da MCM, Chérif Khaznadar coordena há mais de vinte anos, com sua mulher francesa, Françoise Gründ, esse lugar de descoberta e diálogo entre as culturas do mundo”.

“Infelizmente, às vezes, alguns se tornam famosos. Digo ‘infelizmente’ pois nem sempre isso é benéfico para sua música: os músicos têm de fazer concessões às gravadoras, aceitar certa padronização de sua música.”, observa, lúcido, Chérif.

A MCM é bastante conhecida na França por seu Festival do Imaginário, atualmente dirigido por Arwad Esber, que anualmente, na primavera (março-abril), apresenta cantos e danças de todo o mundo, exposições e debates. Sua missão, entretanto, vai muito além de ser uma simples sala de espetáculos. Mini-centro de etnomusicologia em Paris, a MCM também quer registrar essa memória musical do mundo: sua coleção de discos “INÉDITO”, que tem mais de 110 títulos, é uma das coleções de músicas do mundo mais premiadas na França, sobretudo pela raridade e qualidade das músicas selecionadas.

Mais de 1.000 profissionais formados

A MCM também busca ser um centro de reflexão sobre as culturas do mundo: com sua revista Internationale de l’Imaginaire (Internacional do Imaginário), publicada em co-edição com Actes Sud, promove o encontro de intelectuais, artistas e pensadores de todas as tendências.

Desde 1992, a MCM também é um centro de formação internacional, onde agentes da cultura de países francófonos vêm apreender a gerir programas culturais, desde a área do espetáculo ao vivo, à da multimídia. Mais de mil profissionais já foram formados até hoje.

Finalmente, a MCM é solicitada também como expert em logística cultural para manifestações específicas: organizou a grande festa indiana (Mela) no contexto da abertura do ano da Índia na França em 1985 e, em contrapartida, o “French Mela” na Índia, em 1989; organiza a programação artística do festival Mawazine-Ritmos do Mundo em Rabat (Marrocos) e, desde 2004, a programação da música islâmica no museu do Louvre em Paris.

“Em 1982, as músicas e culturas do mundo eram quase ausentes da cena cultural na França. Hoje, algumas centenas de instituições e de festivais destinam-se às músicas e culturas do mundo. A admiração do público é nossa mais bela vitória”, felicita-se Chérif Khaznadar, que, sempre no comando, conservou a modéstia daqueles que trabalham nos bastidores...

Nadia Khouri-Dagher, jornalista


Para saber mais:

Maison des Cultures du Monde (Casa das Culturas do Mundo): Boulevard Raspail, no101, 75006 Paris.
Tel: (33-1) 45 44 72 30.
Site Internet:
www.mcm.asso.fr

[1]. orquestras de percussões.