| Daniel
Templon: pesquisador da arte contemporânea

A
exposição de um dos mais promissores
representantes da jovem geração
alemã,
Jonathan Meese, na galeria parisiense, em
2002
Daniel Templon
fez de sua galeria parisiense mais do que
um lugar privilegiado da arte contemporânea
na França, transformando-a num dos
lugares mais importantes no cenário
mundial. Em 2006, o galerista fez um balanço
de seus quarenta anos de atividades.
Daniel
Templon pode se sentir satisfeito, e realmente
se sente. Desde a criação de
sua galeria de arte contemporânea em
1996, ele já organizou 400 exposições.
Apresentou as máximas de Ben, as compressões
de César, as acumulações
de Arman, as faixas de Buren, os múltiplos
de Warhol. Apoiou o surgimento sucessivo das
correntes artísticas: Abstração,
Neo-Realismo, Pop Art, Minimalismo, Arte Conceitual,
Suporte-Superfície, Neo-Expressionismo.
A maior parte dos grandes figurativos americano
deve a Templon sua primeira exposição
na França. Hoje, eles entraram para
a história...
Na galeria
branca de piso claro, as obras respiram. Nas
paredes, vimos em nossa visita a famosa forma
indefinida que Claude Viallat reproduz desde
1966 em suas telas, vibrando em cores sobre
tendas militares. A galeria defende com vigor
o “talento, ou mesmo gênio”
do artista, “extraordinário colorista”,
contra toda crítica negativa. O tom
está dado. Com o olhar azul e direto
por trás dos óculos de tartaruga,
Daniel Templon tem, do parisiense típico,
a vivacidade, o gosto pela discussão
e, dizem, pela controvérsia.

“Daniel
Templon visto pelo pintor francês
Gérard Garouste, que entrou
para a galeria nos anos 2000.”
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Expor a vanguarda
internacional
Em sua criação,
a galeria recebeu exposições
e performances radicais e provocantes.
Autodidata, porém com olho
clínico para a arte e bom faro
para os negócios, Daniel Templon
aprendeu rapidamente. “A Documenta
de Kassel[1]
em 1968 foi minha universidade. Lá
estavam todos os maiores artistas...
de hoje! Jasper Johns, Robert Rauschenberg,
Roy Lichtenstein, Frank Stella...”
E foi isso que resolveu expor em Paris:
a vanguarda internacional. Seu encontro
com o grande marchand de arte, Leo
Castelli, em 1971, em Nova Iorque,
foi determinante. Instalando-se, em
1972, na Rua Beaubourg, a dois passos
do Centro Pompidou então em
obras, a galeria tornou-se o local,
por excelência, dos grandes
artistas americanos: Donald Judd,
Richard Serra, Frank Stella, Ellsworth
Kelly que se juntaram nos anos 80
a Julian Schnabel, Robert Longo, Jean-Michel
Basquiat, Keith Haring. Os fotógrafos
não foram numerosos, porém
selecionados: Helmut Newton, Robert
Mapplethorpe.
Os franceses não
compartilharam logo do entusiasmo
do jovem galerista que, em 1977, não
vendera um só dos quadros de
Andy Warhol e Willem De Kooning, avaliados
hoje em milhões de dólares.
A história da galeria confunde-se
com o desenvolvimento do mercado,
com seus altos - o fausto dos anos
70 e 80 - e baixos - a crise dos anos
90.
Em quarenta anos,
a arte contemporânea passou
da ultra-confidencialidade à
superexposição e a obra
de arte tornou-se um objeto de consumo.
“Hoje, estamos no ‘vale
tudo’. Tudo pode ser exposto
e, sobretudo, tudo pode ser vendido!,
ironiza o galerista. A hierarquia
dos preços não corresponde
mais à hierarquia artística
e histórica. Mas o tempo vai
restabelecer a hierarquia dos valores
- gosto muito dessa expressão”.
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A era das personalidades
Daniel Templon,
a quem “as personalidades interessam
mais do que os estilos”, seleciona
- Larry Bell, Valerio Adami, Jim Dine,
Anthony Caro... -, deixando-se guiar
apenas por seu gosto, cuja qualidade
é confirmada pelo tempo: os
franceses Paul Rebeyrolle, Raymond
Hains, Alain Jacquet, François
Rouan…passaram a ser históricos.
“Ele é
um dos poucos que conhecem bem a pintura
e sua história”, diz
Philippe Cognée, um dos representantes
da jovem geração encontrados
pelo dono da galeria, como Will Cotton,
James Casebere, Clay Ketter, Ulrich
Lamsfuß, Jonathan Meese, Ivan
Navarro. Esse trabalho de desbravamento,
só a galeria é capaz
de fazer. O museu tem de permanecer
um lugar de consagração
da obra, segundo Daniel Templon, porque
“a experiência da galeria
é uma experiência íntima,
a da arte, e não da cultura,
no sentido em que é entendida
atualmente. Minha profissão
ainda é artesanato”.
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“A
galeria expôs, nos anos 1970,
70 dos melhores artistas americanos
da Pop Art e do expressionismo abstrato,
como Willem de Kooning (ao lado, Untitled
XIV, 1975). " |
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Para ler:
Galerie
Daniel Templon, 40 ans [Galeria Daniel
Templon, 40 anos], editora Communic’art,
Paris, 2006.
No
programa em 2007
Jan
Fabre, dramaturgo, coreógrafo
e artista plástico flamengo.
Guillermo
Kuitca, pintor argentino
Ulrich
Lamsfuß, pintor alemão.
Para saber mais:

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[1].
Trata-se de uma das
manifestações de arte contemporânea
mais concorridas no mundo, realizada a cada
cinco anos, desde 1955, na cidade de Kassel
na Alemanha.
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