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O Abade Pierre

O
Abade Pierre vai em 1954 ao Palácio
do Eliseu para sensibilizar o chefe de Estado
quanto ao problema do déficit habitacional.

Visita
aos sem-teto instalados provisoriamente em
tendas à beira do Sena, em 1955.

Ele
deu seu apoio às famílias de
imigrantes ilegais em 1996.

O
Abade Pierre em 1996.
O Abade
Pierre, personalidade preferida pelos franceses,
cuja chama apagou-se em 22 de janeiro de 2007,
aos noventa e quatro anos de idade.
Esse homem
com capa e gorro, silhueta que se tornou lendária,
lutou a vida toda junto aos que mais sofriam,
os sem-teto, certamente, mas também,
recentemente, junto aos imigrantes ilegais.
Sempre e sem medo, exigiu mais justiça
dos poderosos e, dos franceses “de coração
duro, mas estômago sensível”,
mais partilha e generosidade.
Lutou na
Resistência de 1942 a 1944, foi deputado
de 1945 a 1951, defendendo na Assembléia
Nacional a causa dos sem-teto, problema crucial
no período do pós-guerra. Fundou,
em 1949, a comunidade dos Trapeiros de Emaús
na periferia parisiense, com o objetivo inicial
de recolher objetos usados cuja venda garantia
renda e atividade aos mais pobres. O movimento
estendeu-se a toda a França, diversificando
suas atividades ao longo dos anos (agricultura,
alfabetização, etc.) e tem,
hoje, 327 associações em 39
países.
Em 1954,
durante um inverno particularmente rigoroso,
o Abade Pierre fez um apelo no rádio
em favor dos sem-teto, provocando o que foi
posteriormente chamado de “insurreição
da bondade”. Em 1985, apoiou o humorista
Coluche na criação dos “Restaurantes
do Coração”, lutou junto
aos imigrantes ilegais e ocupou, em 1996,
a igreja Saint-Ambroise com as famílias
sem-teto amparadas pelo movimento do Direito
à Habitação.
Em 2004,
o presidente da República outorgou-lhe
a grã-cruz da Legião de Honra.
Dentro
da Igreja Católica, não deixou
de tomar posições contrárias
às de sua hierarquia, seja em defesa
do casamento dos padres, da ordenação
das mulheres ou dos direitos dos homossexuais.
Uma homenagem
nacional foi feita a esse “combatente
pela dignidade”, saudado como uma “consciência”
e uma “grande voz moral”. A cerimônia
de seu sepultamento foi realizada na Catedral
Notre-Dame de Paris, diante de milhares de
pessoas.
A redação
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