Ministério das Relações Exteriores.

Michel Lescanne, agrônomo humanitário

Fundador da sociedade agroalimentar Nutriset, Michel Lescanne desenvolveu uma massa alimentar, com o objetivo de lutar contra a desnutrição, que é distribuída exclusivamente por organizações humanitárias.

“Minha monografia de conclusão de curso tratava do desenvolvimento de um biscoito com proteínas para os programas de ajuda alimentar. Quando temos vinte anos, estamos mais interessados na nutrição de uma criança do que na perda de peso ou na taxa de colesterol.”, evoca Michel Lescanne[1] com relação a sua formação na área de engenharia agroalimentar. De fato, apesar dos anos, essa tendência nunca o abandonou.

Trabalhou primeiramente na indústria leiteira, criando, em 1968, na pequena cidade de Malaunay (Normandia), a empresa Nutriset[2] que se proclama hoje “a única empresa agroalimentar 100% dedicada aos programas humanitários internacionais”. Com ela, Lescanne lançou vários produtos ligados à luta contra a desnutrição: comprimidos de zinco (para uso em caso de diarréia), massa Vitapoche para os sem-teto, etc.

Mas o maior orgulho de Michel Lescanne chama-se Plumpy’nut e pesa 92 gramas! 92 gramas de massa de amendoim, leite em pó, açúcar, minerais, vitaminas...que realmente salvam, pois o consumo de três porções diárias durante algumas semanas faz com que as crianças saiam do estado de desnutrição.

A fórmula mágica, elaborada em 1999 com André Briend, nutricionista do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD[3]), deu a volta ao mundo desde então. Distribuída pelas ONGs e agências das Nações Unidas nos países em crise atingidos pela fome, a “noz gorducha” com suas 500 calorias tem a vantagem única de estar pronta para consumo e de poder ser utilizada no contexto familiar.


“Distribuída por ONGs e agências das Nações Unidas em países em crise, o “Plumpy’nut” luta de maneira eficaz contra a desnutrição.”

Empresa ética

À frente de uma empresa em pleno crescimento e cujos únicos acionistas são sua mulher e o próprio Lescanne, o engenheiro no entanto não descartou alguns princípios éticos definidos inicialmente. Assim, a Nutriset, que funciona 24 horas por dia em caso de crise humanitária, é “independente e livre de qualquer lobby financeiro ou industrial” e recusa qualquer negócio que não esteja ligado ao humanitarismo. O qüinquagenário desenvolve, entretanto, um sistema de franquias na África, cedendo a patente do Plumpy’nut aos empresários locais para que possam fabricá-lo e fazer frente às emergências. Como o lucro não é sua motivação, esse empresário atípico reinveste 80% dos lucros na pesquisa e no desenvolvimento.

“Nosso objetivo, declarou[4] durante a entrega de um prêmio pelo desempenho, não é ganhar dinheiro para servir aos acionistas, mas sim para fornecer meios à empresa de elaborar novos produtos.” Impossível ser mais claro.

Florence Raynal, jornalista

[1]. Extraído do jornal Libération, de 28 de setembro de 2005.
[2]. www.nutriset.fr
[3]. www.ird.fr
[4]. Extraído do jornal Les Échos, de 20 de janeiro de 2005.