
“Aqui,
100% sem tabaco.”
|
O
último cigarro
Os
dados são alarmantes: todo ano,
na França, mais de 5.000 mortes
são atribuídas ao tabagismo
passivo. Dando provas de recente conscientização,
o governo decidiu proibir o consumo
de cigarros em lugares públicos
a partir de 1o fevereiro de 2007. Bares,
restaurantes e discotecas podem, se
desejarem, ter um prazo suplementar
até 1o de janeiro de 2008. Após
essa data, os renitentes correm o risco
de receber uma multa que varia de 75
a 150 euros. Para auxiliar na desintoxicação
dos fumantes inveterados, o Estado prevê
medidas de acompanhamento no valor de
cerca de 100 milhões de euros
por ano.
Com essa lei aprovada por 80% dos franceses,
a França alinha-se à legislação
européia, implementada na Irlanda
em 2004 e, em seguida, na Itália,
na Suécia, na Grã-Bretanha
e na Espanha. |
Um contrato republicano
Em
fase de experiência desde 2003 e efetivado
em 2006, o contrato de acolhida e integração
tornou-se obrigatório em 1o de janeiro
de 2007. Ao chegar à França,
um estrangeiro imigrante em situação
regular deve assinar esse contrato, no qual
se compromete a respeitar os valores da República,
em particular a igualdade entre homens e mulheres
e a laicidade. Ele é beneficiado, em
contrapartida, com um diagnóstico sanitário
e social e uma formação cívica
e lingüística cujo financiamento
é garantido pelo Fundo de Ação
e Apoio à Integração
e à Luta contra as Discriminações
(FASILD). A expedição do visto
de permanência agora está vinculada
à assinatura desse contrato e ao respeito
às suas regras.
Inspirando-se
em um dispositivo canadense, ele passou a
ser, desde a lei de coesão social de
18 de janeiro de 2005, um elemento “de
apreciação da condição
de integração republicana do
estrangeiro na sociedade francesa”.
Esse contrato foi bem recebido em sua fase
experimental, uma vez que 95% dos recém-chegados
aceitaram assiná-lo ao receber a proposta.
Embora as associações de apoio
aos imigrantes aprovem a idéia de serviços
que auxiliem em sua integração,
alguns reprovam ao Estado o fato de subordinar
a obtenção do visto de permanência
à assinatura desse contrato.
Na
Internet:

Em
18 de janeiro de 2007, uma homenagem
nacional foi realizada pelo presidente
Jacques Chirac (ao fundo) a cerca
de 2.700 “Justos” - cidadãos
franceses “comuns” - que
salvaram judeus durante a Segunda
Guerra Mundial”.
|
Os
Justos da França no Panthéon
Não se trata de “grandes
homens” dos livros de história.
Desconhecidos pelo público e
de origens por vezes modesta, esses
heróis comuns “entraram”
para o Panthéon, monumento de
Paris onde repousam as grandes personalidades
da França, por ocasião
de uma cerimônia presidida pelo
presidente da República, Jacques
Chirac, em 18 de janeiro de 2007. A
partir de agora, uma placa homenageia,
ao lado de Jean-Jacques Rousseau, Victor
Hugo e Jean Jaurès, a memória
dos “Justos” da França,
homens e mulheres que, durante os anos
negros da ocupação nazista
na França (1940-1945), possibilitaram
que judeus escapassem da deportação
e da morte.
2.740
cidadãos franceses foram oficialmente
reconhecidos como “justos entre
as nações” pelo
Memorial de Yad Vashem em Israel, o
mais alto número da Europa, depois
da Polônia e da Holanda, sem contar
aqueles que nunca quiseram chamar atenção
para o papel que desempenharam. A idéia
de recebê-los coletivamente no
Panthéon, lugar onde também
repousa Jean Moulin, chefe da resistência
francesa sob a Ocupação,
foi da ex-ministra Simone Veil, presidente
da Fundação pela Memória
da Shoah, ela própria tendo escapado
de um campo de concentração,
presente para honrar aqueles graças
aos quais “podemos olhar a França
no fundo dos olhos e nossa história
de frente”, segundo o presidente
Jacques Chirac.
Uma homenagem diretamente relacionada
a seu discurso de 16 de julho de 1995
em que, por ocasião da comemoração
do episódio do Velódromo
de Inverno (mais de 12.000 judeus foram
presos em dois dias de uma mesma operação),
reconhecera a responsabilidade do Estado
francês na deportação
de 75.000 judeus franceses.
|
|