Ministério das Relações Exteriores

Angers, exemplo de cidade sustentável

Desde 2007, “o cinturão verde”, percurso em local protegido com extensão de cerca de dez quilômetros, permite que pedestres, ciclistas e patinadores cruzem facilmente os grandes espaços naturais situados às portas de Angers.

Em alguns anos, esta cidade da região Pays de la Loire tornou-se uma referência européia na arte de conciliar meio ambiente, economia e social, os três fundamentos do desenvolvimento sustentável.

Após algumas décadas de crescimento ao acaso, a partir dos anos 90 Angers lançou-se decididamente no desenvolvimento sustentável para repensar a cidade no presente e inventar a do futuro.

Em 1996, ela se lançou na elaboração de uma “agenda para o século XXI”, retomando programas de ação propostos na Cúpula da Terra (Rio 92). Em 1996, criou um plano para o desenvolvimento sustentável; foi dotada, em seguida, de veículos pouco poluentes, impôs cláusulas ligadas ao meio ambiente e à inserção em concorrências públicas, defendeu a responsabilidade ecológica nas encomendas públicas, administra sem adubos nem pesticidas perigosos seus numerosos espaços verdes e inaugurou a maior fábrica da Europa de produção de água potável, equipada com uma técnica inovadora de ultra-filtragem... Em 2007, inaugurou o centro regional do Grande Oeste de tratamento de resíduos de equipamentos elétricos e eletrônicos (D3E), que atende às necessidades de 27 departamentos e 14 milhões de pessoas.

Angers foi uma das primeiras cidades da França a adotar o procedimento HQE® (alta qualidade ambiental) na renovação e construção de prédios municipais. Esse procedimento, que permite conciliar conforto e controle de despesas energéticas, foi adotado no centro de manutenção de bondes. No futuro, a energia de uma estação de despoluição será produzida no local por meio de painéis solares e pela metanização de bóias. Três bairros, que reúnem 10.000 novas habitações, também são beneficiados com a marca HQE®.



“Cais para vaguear”: a vasta operação de reforma das margens do Maine.

Modos de deslocamento suaves

Situada no encontro de cinco rios, entre eles o famoso Loire, Angers prepara-se ativamente para reconquistar suas margens, ocupadas desde os anos 70 por uma auto-estrada que corta a cidade em duas. Essas grandes obras urbanísticas estão associadas ao desenvolvimento de meios de transporte e modos de deslocamento suaves.

À espera da primeira linha de bondes em 2009, os habitantes de Angers já podem utilizar gratuitamente as 1.000 bicicletas colocadas à sua disposição. Uma oportunidade para descobrir o excepcional meio ambiente de que goza a comunidade, entre castelo medieval e espaços naturais. Bastam alguns minutos para sair do centro da cidade e chegar à ilha de Saint-Aubin, com seus 600 hectares inundáveis, lugar de migração dos pássaros aquáticos.

Agir aqui e ali

Consciente de que o desenvolvimento sustentável não se limita ao respeito do meio ambiente, mas depende também da adesão da população, Angers criou o hábito de consultar seus habitantes no que tange aos projetos com incidências em sua vida cotidiana.

Finalmente, já faz 30 anos que Angers utiliza 0,5% de seu orçamento anual de investimentos em uma parceria muito concreta com a cidade de Bamako, no Mali: uma novidade na França que permite uma profícua cooperação nos campos do meio ambiente, da formação e também nas atividades referentes à água, ao saneamento e ao tratamento de resíduos.

Emmanuel Thévenon, jornalista