Há trinta anos
Pierre fotografa, e Gilles retoca com
pintura. Contra o aspecto às
vezes liso da fotografia contemporânea,
a dupla inventou estilo e técnica
únicos dos quais emana uma matéria
ornamental exuberante que engrandece
modelos transformados em imagens atemporais.
Em auto-retratos
ou retratos tanto de anônimos
quanto de celebridades do mundo da cultura
popular, do rock, do cinema, das artes,
da moda ou da noite (Andy Warhol, Jean-Paul
Gaultier, Arielle Dombasle, Kyllie Minogue,
Catherine Deneuve, etc.), eles colocam
os personagens no centro de um décor
barroco que bebe na fonte da mitologia
antiga, da religião e da cultura
pop ou gay.
Cores saturadas,
encenações kitsch[*]:
Pierre e Gilles confirmam seu gosto
pela superficialidade e, mesmo se fotografias
recentes evocam a guerra do Iraque ou
a França “black, blanc,
beur” (black, branco, árabe),
não o fazem de forma militante.
Entretanto, por trás da aparente
“candura infantil”, os excessos
das imagens (lindas demais, bem comportadas
demais, sofisticadas demais, etc.) nos
levam a uma estranheza por vezes inquietante.
De 26 de junho
a 30 de setembro de 2007, o Museu do
Jeu de Paume, em Paris, organiza uma
vasta retrospectiva chamada “Double-je”
(duplo eu, 1976-2007), que coloca em
destaque trinta anos de vida e de criação
conjunta. Na onda, a editora alemã
Taschen está publicando um novo
volume com suas obras que “transbordam
uma beleza superlativa”, segundo
o crítico de arte Paul Ardenne,
que assina o comentário.
A redação
[*] Kitsch:
atitude artística que brinca
com o démodé e o mau-gosto.
- 1, praça da Concorde, 75008
Paris.