Ministério das Relações Exteriores.

Olhar sobre...

“Pierre e Gilles”

As fotografias realçadas com pintura de Pierre e Gilles são peças únicas. Dans le Port du Havre (No Porto do Havre, 1998), tendo Frédéric Lenfant como modelo.

Ice Lady (1994). Sylvie Vartan como modelo.

Le Petit Communiste (1990). Modelo : Christophe.

Iggy Pop (1977).

Les Cosmonautes (1991), tendo Pierre e Gilles como modelos.

Há trinta anos Pierre fotografa, e Gilles retoca com pintura. Contra o aspecto às vezes liso da fotografia contemporânea, a dupla inventou estilo e técnica únicos dos quais emana uma matéria ornamental exuberante que engrandece modelos transformados em imagens atemporais.

Em auto-retratos ou retratos tanto de anônimos quanto de celebridades do mundo da cultura popular, do rock, do cinema, das artes, da moda ou da noite (Andy Warhol, Jean-Paul Gaultier, Arielle Dombasle, Kyllie Minogue, Catherine Deneuve, etc.), eles colocam os personagens no centro de um décor barroco que bebe na fonte da mitologia antiga, da religião e da cultura pop ou gay.

Cores saturadas, encenações kitsch[*]: Pierre e Gilles confirmam seu gosto pela superficialidade e, mesmo se fotografias recentes evocam a guerra do Iraque ou a França “black, blanc, beur” (black, branco, árabe), não o fazem de forma militante. Entretanto, por trás da aparente “candura infantil”, os excessos das imagens (lindas demais, bem comportadas demais, sofisticadas demais, etc.) nos levam a uma estranheza por vezes inquietante.

De 26 de junho a 30 de setembro de 2007, o Museu do Jeu de Paume, em Paris, organiza uma vasta retrospectiva chamada “Double-je” (duplo eu, 1976-2007), que coloca em destaque trinta anos de vida e de criação conjunta. Na onda, a editora alemã Taschen está publicando um novo volume com suas obras que “transbordam uma beleza superlativa”, segundo o crítico de arte Paul Ardenne, que assina o comentário.

A redação

[*] Kitsch: atitude artística que brinca com o démodé e o mau-gosto.

www.jeudepaume.org - 1, praça da Concorde, 75008 Paris.